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Termômetro Setorial SABE 1T2017: Desempenho fraco, retomada depende do cenário político


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 10/Jul/2017.

 

Este artigo dá continuidade à série “Termômetro Setorial SABE” apresentando aos leitores do nosso blog o quadro de desempenho de 17 setores de nosso Banco de Dados SABE com base na comparação de indicadores do 1T2016 X 1T2017. O “Termômetro” mede a “temperatura” de cada um dos setores em termos de variações de receitas líquidas, de resultados líquidos, de dívidas líquidas e de geração de caixa medida pelo EBITDA.

Para montar o “Termômetro”, criamos uma metodologia simples baseada em escala de pontos alocados aos intervalos de valores de cada indicador. O resultado ponderado de cada setor foi sinalizado com cores indicando os desempenhos: BOM, EM ALERTA e RUIM. Dos 17 setores analisados, 3 estão com desempenho ruim, 11 estão com desempenho em alerta e apenas 3 estão com desempenho bom, como mostramos a seguir:

DESEMPENHO RUIM: Construção Civil, Máquinas e Equipamentos e Papel/Celulose tiveram queda de receitas, queda de resultados, e queda de EBITDA, embora o segundo segmento tenha tido também queda da dívida líquida.

Setores com Desempenho RUIM – 1T2016 x 1T2017Fonte: SABE ©

Setores com Desempenho RUIM – 1T2016 x 1T2017
Fonte: SABE ©

  • Construção Civil: das 41 companhias do setor, seis representam 52% do total das vendas do 1T2017: MRV, Cyrela Realt, Even, Br Malls, Multiplan e Portobello. O aumento expressivo de resultado de fato representa crescimento do prejuízo. O maior lucro foi da BR Propert (R$183 milhões) e o maior prejuízo foi da PDG Realt (R$272 milhões).
  • Máquinas e Equipamentos: das 26 empresas do setor, sete totalizam 88% das receitas no 1T2017: Embraer, Weg, Iochp-Maxion, Tupy, Randon Part, Marcopolo e Metal Leve. O maior lucro no período foi da Weg (R$257 milhões) e o maior prejuízo foi da Plascar (R$46 milhões).
  • Papel e Celulose: setor com 8 empresas listadas. Destas quatro representam 85% do total de vendas no 1T2017. São elas: Grupo Suzano (Holding e Papel), Fibria e Klabin. Líder em resultados foi Klabin (R$602 milhões) e última nesse quesito foi Celulose Irani, prejuízo de R$14 milhões.

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DESEMPENHO EM ALERTA: a maioria dos setores teve queda das receitas; os que tiveram aumento de receitas ficaram praticamente abaixo da inflação. Os aumentos de resultados são considerados extraordinários e pontuais e as reduções das dívidas e os aumentos de EBITDA não tiveram consistência.

Setores com Desempenho EM ALERTA – 1T2016 x 1T2017Fonte: SABE ©

Setores com Desempenho EM ALERTA – 1T2016 x 1T2017
Fonte: SABE ©

Os principais destaques para os setores “em alerta” são:

  • JBS saiu de um prejuízo de R$2,7 bilhões no 1T2016 para um lucro de R$486 milhões no 1T2017, ao mesmo tempo em que Ambev teve uma queda de R$600 milhões em seu lucro; estes fatos distorceram o crescimento do resultado do setor de Alimentos e Bebidas;
  • Petrobras (Petróleo, Gás e Derivados) saiu de um prejuízo de R$381 milhões no 1T2016 para um lucro de R$4,8 bilhões, equivalente a uma diferença de mais de R$5 bilhões, afetando de forma expressiva o resultado do setor como um todo;
  • No setor de Tecidos, Vestuário e Calçados, Alpargatas e Grendene tiveram aumentos de R$69 milhões e R$31 milhões, respectivamente, em seus lucros do 1T2016 para o 1T2017, influenciando sobremaneira o resultado do segmento.
  • A Oi (Telecomunicações) reduziu seu prejuízo no 1T2016 (R$1,8 bilhões) para um prejuízo de R$200 milhões no 1T2017, impactando a variação do resultado do setor.

DESEMPENHO BOM: Energia Elétrica, Mineração e Saneamento tiveram aumento de receitas, aumento de resultados, redução da dívida líquida (exceto Energia Elétrica que aumentou pouco) e aumento de EBITDA.

Setores com Desempenho BOM – 1T2016 x 1T2017Fonte: SABE ©

Setores com Desempenho BOM – 1T2016 x 1T2017
Fonte: SABE ©

  • Energia Elétrica: das 51 companhias do setor, nove representam 56% do total das vendas: Eletrobras, CPFL Energia, Cemig, Copel, Energisa, Eletropaulo, Cosan Ltd, Light S/A e Energias BR. O aumento expressivo do resultado da Eletrobras saindo de um prejuízo de R$3,9 bilhões no 1T2016 para um lucro de R$1,4 bilhões no 1T2017 (diferença de R$5,2 bilhões) impactou o resultado do setor. A líder em resultado no 1T2017 foi a Eletrobras (ainda influenciado por renovação de concessões como vimos informando em nosso blog) e a última colocada foi a Renova: prejuízo de R$96 milhões.
  • Mineração: a Vale representa no 1T2017, 99% do total das receitas e também 99% do resultado do setor composto de apenas 4 empresas listadas na bolsa. O pior resultado foi da CCX Carvão: prejuízo de R$3 milhões no 1T2017.
  • Saneamento: a Sabesp sozinha no 1T2017 detém 46% do total das receitas do setor que é composto de sete companhias listadas. É também a líder em lucro no mesmo período com R$674 milhões. Todas as empresas deste segmento deram lucro; o menor de todos foi da Casan (R$22 milhões).

 

Comentários Finais

O brasileiro está pouco confiante com a economia brasileira na atualidade. Pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) apontou que 81% dos consumidores acreditam que a economia está ruim ou muito ruim, contra 2% que afirmaram ver o momento como bom.  Já para 16% dos participantes a situação econômica brasileira é regular. Entre os brasileiros que se mostraram descrentes com a economia, 53% deles afirmam que a corrupção e o mau uso do dinheiro público como causas do descontentamento. Outros 36% citam alguns dos efeitos colaterais da crise, como o desemprego (26%) e a inflação (9%), para justificar o pessimismo na atualidade.

Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, o reestabelecimento da confiança do consumidor sobre a economia e o futuro do País depende do cenário político. “O risco de novas instabilidades no campo político pode afetar o humor do brasileiro. Por outro lado, no campo econômico, alguns indicadores já dão sinais de uma tímida interrupção de longos meses de recessão. Se confirmadas as expectativas de que a pior fase da crise foi superada, isso poderá devolver algum ânimo aos consumidores e empresários”, disse. Fonte: IG.

A SABE Consultores tem a missão de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas conscientes atuam de maneira a criar valor não só para si mesmas, mas também para seus clientes, colaboradores, fornecedores, investidores, comunidade e meio ambiente ou usando o jargão do momento para seus “stakeholders”. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

Fale com o autor: lg.dias@sabe.com.br

 

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