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Temporada de Balanços dos Bancos 9M2016: Lucros e rentabilidades dos 4 grandes em queda


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 16/Nov/2016.

 

“A vantagem de dever muito sobre dever pouco é que, quando devemos pouco, temos de ir ao banco. Quando devemos muito, o banco vem a nós”
Millor Fernandes – Humorista

Em um artigo nosso publicado sob o título “Grandes Bancos Brasileiros – até quando vão os recordes de lucros?” chamamos atenção para o fato que a fragilidade da economia, o crescimento do desemprego, a queda da renda junto com os efeitos perversos da Lava Jato poderiam levar os bancos brasileiros, principalmente os grandes, a enfrentar um novo ciclo desafiador. A grande questão, dizíamos, é que o ciclo de lucro crescente apoiado no crédito de baixo risco acabou para os maiores bancos brasileiros. “Os bancos estão vivendo o final de um ciclo benigno, de redução do risco da carteira e alta da Selic, e começando outro, cuja extensão dos problemas nós não sabemos”, afirmou um renomado analista do mercado.

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Neste artigo vamos mostrar, com base em nosso Banco de Dados SABE, a comparação das informações/indicadores financeiros atualizados até 30/Set/2016 contra igual período de 2015 de 15 bancos com balanços publicados, como também dos 4 maiores bancos do país: Bradesco, Banco do Brasil, Itauunibanco e Santander BR.:

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Na comparação dos grandes números de 9M2015 contra 9M2016 do conjunto dos 15 bancos quatro observações merecem especial atenção:

  1. Ativos, Depósitos Totais, Créditos Totais e Receitas da Intermediação financeira ficaram praticamente estáveis;
  2. Despesas de Intermediação Financeira tiveram queda expressiva;
  3. Resultado Bruto obteve um tremendo aumento decorrente da forte recuperação de Bradesco e BTGP Banco que tiveram nos 9M2015 este indicador negativo em R$18 bilhões e R$9 bilhões, respectivamente;
  4. Finalmente, a queda violenta de 23,15% dos resultados líquidos, confirmando a expectativa do mercado há cerca de um ano.

Olhando agora os números dos 4 maiores bancos podemos perceber com mais detalhes o comportamento de desempenho decrescente com queda de lucros e do retorno do acionista (ROE). Vale lembrar que há 3 anos os 2 maiores bancos (Itauunibanco e Bradesco) disputavam retornos da ordem de 22-23%, nos últimos 12 meses de 19-20% e nos 9M2016 na faixa de 15%. Para melhor visualização apresentamos na sequência gráficos ilustrativos.

Informações Financeiras 4 Maiores Bancos – 9M2015 x 9M2016. Fonte: SABE © - Powered by Maestro.

Informações Financeiras 4 Maiores Bancos – 9M2015 x 9M2016.
Fonte: SABE © – Powered by Maestro.

Gráficos Indicadores dos 4 Maiores Bancos – 9M2015 x 9M2016.Fonte: SABE © - Powered by Maestro.

Gráficos Indicadores dos 4 Maiores Bancos – 9M2015 x 9M2016.
Fonte: SABE © – Powered by Maestro.

 

COMENTÁRIOS FINAIS

Como vimos afirmando em nossos artigos, quando o cenário econômico é ruim para os bancos percebemos um sintoma ruim para o conjunto das companhias: as empresas precisam renegociar suas dívidas num momento de juros elevados e créditos escassos, ao mesmo tempo em que os bancos reduzem seus empréstimos e passam a se concentrar em controle de inadimplência e renegociação de contratos.

Sobre o Itauunibanco, de acordo com notícia veiculada em 31/Out/2016, o índice de inadimplência das operações de crédito vencidas acima de 90 dias atingiu 3,9%, 0,3 ponto percentual maior ante o 3º trimestre de 2015 e 0,9 ponto maior em 12 meses. Segundo a direção do banco, essa alta refletiu a operação de uma empresa de grande porte no Brasil, cujo nome não foi revelado. Sem isso, o índice teria ficado estável. A provisão feita pelo Itauunibanco para perda esperada com calotes somou R$6,169 bilhões, queda de 2,7% na comparação trimestral e alta de 2,9% sobre um ano antes. Nos 9M2016, as despesas com provisões para crédito de liquidação duvidosa subiram 16,3% em relação a um ano antes e são apontadas no relatório do Itaú  como uma das razões para a redução do lucro. (Fonte: G1 – Globo).

Em relação ao Bradesco, de acordo com o relatório do banco em 10/Nov/2016, a redução do lucro foi “impactada, em boa parte, pelo aumento da despesa com provisão para devedores duvidosos”. Trata-se de uma reserva de capital que o banco faz para se previnir de calotes nas operações de crédito. O banco explicou que aumentou as provisões devido à elevação da inadimplência, reflexo da recessão, e da necessidade de ajuste “do nível de provisionamento de determinadas operações com clientes corporativos”. O índice de inadimplência superior a 90 dias encerrou setembro de 2016 em 5,4%. Em Set/2015, era de 3,8%. Desconsiderando o efeito da consolidação do HSBC Brasil, este índice seria de 5,2%.  (Fonte: G1 – Globo).

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que buscam criar valor para TODOS os seus “stakeholders”. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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