Criação de Valor – Empresas Não Financeiras – 2015 (R$bilhões)Fonte: SABE © - Powered by Maestro ©

Stakeholder (Conceito): Qual a sua importância para o sucesso de uma empresa?


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 20/Dez/2016.

 

“A maioria das pessoas não vive apenas para comer, nem as organizações devem existir apenas para lucrar”

Bill George – Professor da HBS (Prefácio do livro “Capitalismo Consciente” – Editora HSM)

Este artigo é o primeiro de uma série sobre “Stakeholders”. Nele abordamos o conceito, a importância para o sucesso de uma empresa e mostramos como foi a distribuição de valor adicionado de 250 empresas não financeiras em 2015 com base nas informações dos DVAs consolidados de nosso Banco de Dados SABE. Nos demais artigos dessa série vamos mostrar a importância individual de cada um dos stakeholders.

“Stakeholder” significa público estratégico e descreve uma pessoa ou grupo que fez um investimento ou tem ações ou interesse em uma empresa, negócio ou indústria. Em inglês “stake” significa interesse, participação, risco e “holder” significa aquele que possui. O stakeholder mais antigo é o “Shareholder”, em português: o acionista ou o detentor da ação.

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No passado, os livros de administração ensinavam que a missão do administrador era maximizar a riqueza do acionista (shareholder). Atualmente, por conta das inúmeras mudanças de natureza social, tecnológica, política, ambiental e de valores que assistimos, a missão do administrador tornou-se extremamente mais complexa. Além do acionista, a missão de maximizar riqueza passou a incluir diversas partes interessadas no sucesso da empresa, os stakeholders: clientes, colaboradores, fornecedores, financiadores, meio ambiente, comunidade, enfim a sociedade como um todo. A figura seguinte ilustra o conceito ampliado dos diversos públicos de interesse (stakeholders), principais e secundários, envolvidos no sucesso de uma organização.

Os diferentes Stakeholders de uma OrganizaçãoFonte: Prof. Cid Alledi

Os diferentes Stakeholders de uma Organização
Fonte: Prof. Cid Alledi

Sob a ótica da Contabilidade, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) visa mensurar o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída. Sua origem passa a ser instrumento mandatório nas empresas Europeias, devido a uma obrigação que nasceu na França e posteriormente em todo o mundo como parte das mudanças introduzidas a partir de 2010 pelas normas internacionais de contabilidade IFRS (International Financial Reporting Standards), um conjunto de pronunciamentos contábeis internacionais publicados e revisados pelo IASB (International Accounting Standards Board).

De acordo com a nova norma, a entidade deve elaborar a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) e apresentá-la como parte integrante das suas demonstrações contábeis divulgadas ao final de cada período. A elaboração da DVA consolidada deve basear-se nas demonstrações consolidadas e evidenciar a participação dos sócios não controladores. A DVA deve proporcionar aos usuários das demonstrações contábeis informações relativas à riqueza criada pela empresa em determinado período, bem como a forma pela qual tais riquezas foram distribuídas. A distribuição da riqueza criada deve ser detalhada, minimamente, da seguinte forma: a) pessoal e encargos; b) impostos, taxas e contribuições; c) juros e aluguéis; d) juros sobre o capital próprio (JSCP) e dividendos; e) lucros retidos/prejuízos do exercício. (Fonte: Wikipédia).

Veja agora o que o nosso Banco de Dados SABE tem a mostrar sobre os Demonstrativos de Valor Adicionado (DVAs) de 250 empresas não financeiras em 2015. Do total destas empresas 228 distribuíram R$811,7 bilhões de valor adicionado positivo (criação de valor) e 22 distribuíram R$7,2 bilhões de valor adicionado negativo (destruição de valor). Em números totais a distribuição de valor em 2015 representou R$804,5 bilhões.

As 10 maiores “criadoras” de valor distribuíram R$404,7 bilhões (50,3 % do total) foram: Petrobras, Jbs, Ambev, Telef Brasil, Oi, Eletrobras, Cemig, CPFL Energia, BRF SA e P.Acucar-CBD. As 10 maiores “destruidoras” de valor foram: TecToy, J B Duarte, IGB S/A, Cobrasma, CCX Carvao, Schlosser, Cr2, Telebras, Jereissati  e Joao Fortes.

Os gráficos a seguir mostram os totais distribuídos em termos de “criação” e de “destruição” de valor das empresas não-financeiras em 2015, e sua distribuição pelos seguintes stakeholders: Pessoal (Colaboradores), Impostos, Taxas e Contribuições (Governo), Remuneração de Capital de Terceiros (Financiadores) e Remuneração de Capital Próprio (Acionistas).

Criação de Valor – Empresas Não Financeiras – 2015 (R$bilhões)Fonte: SABE © - Powered by Maestro ©

Criação de Valor – Empresas Não Financeiras – 2015 (R$bilhões)
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Destruição de Valor – Empresas Não Financeiras – 2015 (R$bilhões)Fonte: SABE © - Powered by Maestro ©

Destruição de Valor – Empresas Não Financeiras – 2015 (R$bilhões)
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COMENTÁRIOS FINAIS

As informações obtidas dos DVAs das 250 empresas do nosso Banco de Dados SABE evidenciam a frágil situação econômica das companhias abertas. Tanto as que “criaram” valor quanto as que “destruiram” valor, praticamente distribuíram valor para seus colaboradores, para o governo e seus financiadores, deixando “a ver navios” seus acionistas que tiveram perdas de valor da ordem de R$60 bilhões.

Como sempre enfatizamos em nossos artigos, TODOS os stakeholders, principais ou secundários, são necessários e importantes para o sucesso da empresa, inclusive os acionistas. O que assistimos em nosso país devido à recessão econômica causada em grande parte pela instabilidade política é a redução de investimentos como consequência da incerteza e imprevisibilidade sobre os rumos da economia afugentando os investidores que tem sido penalizados pela fraca ou nula remuneração de capital próprio.

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que perseguem incessantemente valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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