Setor Petróleo e Petroquímica: Desempenho 2011 - 2015

Setor Petróleo e Petroquímico: Desempenho 2011 – 2015


Em uma de nossas newsletters postada após a publicação do balanço da companhia com o título “SABE o que animou e o que decepcionou (muito!) no balanço da Petrobrás?”, ressaltamos os três grandes desafios que a empresa teria pela frente: recuperar as perdas (R$6 bilhões) causadas pela corrupção, equilibrar o elevado endividamento total (R$550 bilhões até 30/jun) e as finanças com o reduzido preço do barril de petróleo no mercado internacional e profissionalizar a gestão de negócios e a governança corporativa. Registramos que o nosso entendimento era que o terceiro desafio seria o mais importante para que a companhia resgatasse o valor de mercado e a confiança dos seus stakeholders.

A notícia publicada em 15/09/2015 sobre a saída do Presidente do Conselho da Petrobras, a partir de novembro próximo, pouco mais de quatro meses após o governo ter nomeado o novo Conselho com profissionais independentes do mercado é, no mínimo, motivo de preocupação para o mercado, para os funcionários e para os acionistas da companhia, além do que joga um balde de água fria na duvidosa questão da governança da companhia.

Este artigo é sobre o Setor Petróleo e Petroquímico e busca como de costume mostrar aos nossos leitores o que o nosso acervo de dados e informações tem a desvendar sobre o que os demonstrativos contábeis e as notas explicativas das empresas desse setor mostram. Mas, sobretudo, o que deixaram de mostrar….

Em nosso mercado acionário cerca de treze companhias competem nesse Setor. A Petrobras é de longe a maior empresa com receita de R$337bilhões em 2014, equivalentes a 85% do total do setor. As demais: Braskem, Elekeiroz, Evora, Fer Heringer, GPC Part, Petrorio (ex HRT), Cristal (ex Millennium), OGX Petroleo, OSX Brasil, Pet Manguinhos, QGEP Part e Unipar, juntas somaram cerca de R$58bilhões em receitas em 2014.

Os aspectos do setor Petróleo/Petroquímico que merecem atenção são: preço do barril de petróleo no mercado internacional, taxa de câmbio, descoberta de novas reservas, uso de fontes de energia renováveis, importação de produtos químicos, preço da nafta no mercado internacional e diversificação de matérias-primas..

Os gráficos apresentados a seguir ilustram para o Setor de Petróleo/Petroquímico a evolução das Receitas Líquidas, Resultados Líquidos, Endividamentos Totais e Retornos do Acionista no período de 2011 a 2015, sendo este anualizado.

Os gráficos apresentados ilustram para o Setor de Petróleo/Petroquímico a evolução das Receitas Líquidas, Resultados Líquidos, Endividamentos Totais e Retornos do Acionista no período de 2011 a 2015, sendo este anualizado.

Os gráficos apresentados ilustram para o Setor de Petróleo/Petroquímico a evolução das Receitas Líquidas, Resultados Líquidos, Endividamentos Totais e Retornos do Acionista no período de 2011 a 2015, sendo este anualizado.
FONTE: Banco de Dados SABE – Sistema de Análise de Balanços Empresariais ©

No período de 2011 a 2015(P) as Receitas Líquidas cresceram com taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 4,8% aa, ao mesmo tempo em que o Endividamento Total teve um CAGR superior a 14% aa.

Quanto aos resultados líquidos, o quadro geral é assustador com sete empresas no vermelho em 2014, sendo destaque a Petrobras com prejuízo de R$22bilhões. No período de 2011 a Jun/2015 o setor reduziu seu CAGR calculado sobre os lucros/prejuízos das empresas em quase 17% aa, saindo de R$32bilhões em 2011 para um resultado líquido anualizado neste exercício próximo a R$13bilhões. Cabe também a observação de que GPC Part, Petrorio, OGX Petroleo, OSX Brasil e Pet Manguinhos, tiveram prejuízos em praticamente todo o período de 2011 a 2014.

O retorno do Acionista (ROE) do setor acompanha o desempenho dos resultados líquidos, iniciando 2011 com um percentual de 8,57%, alcançando ao final do período um patamar projetado de pouco mais de 2%. Vale destacar situações de grave insolvência apresentadas pelas empresas Pet Manguinhos (todo o período), Sansuy (idem, embora não acompanhada) e OSX em 2014. Usamos a convenção “-100,00%” para apontar as empresas com patrimônios líquidos negativos e prejuízos simultâneos.

As planilhas seguintes mostram os indicadores descritos individualizados pelas companhias do setor.

As planilhas mostram os indicadores descritos individualizados pelas companhias do setor. FONTE: Banco de Dados SABE – Sistema de Análise de Balanços Empresariais ©

As planilhas mostram os indicadores descritos individualizados pelas companhias do setor.
FONTE: Banco de Dados SABE – Sistema de Análise de Balanços Empresariais ©

Com relação ao desempenho em bolsa o gráfico a seguir mostra a valorização das ações das companhias do setor no período de Jan/2011 a Jun/2015, em que o Ibovespa caiu 24% e apenas 3 de 13 ações (Evora PN, Elekeiroz PN e GPC Part ON) tiveram desempenho positivo.

Desempenho em bolsa mostra a valorização das ações das companhias do setor no período de Jan/2011 a Jun/2015, em que o Ibovespa caiu 24%.

Desempenho em bolsa mostra a valorização das ações das companhias do setor no período de Jan/2011 a Jun/2015.
FONTE: APLIGRAF ©

Comentários Finais:

O principal comentário a ser feito é sobre a queda do preço do barril de petróleo tipo brent que estava cotado entre 2011e 2013 em US$110 e hoje é negociado a US$46, cerca de 40% menos. O preço do barril de petróleo é importante principalmente por causa dos derivados que são produzidos a partir do seu refino. A quantidade de produto derivado é dependente de alguns fatores, dos quais hoje o mais relevante é a necessidade de demanda. A este aspeto soma-se a grave situação da principal empresa de petróleo do país (Petrobras) que enfrenta os impactos negativos da operação “Lava a Jato”, necessita de altos investimentos para o pré-sal e carrega um elevado endividamento, afetando a cadeia de fornecedores de derivados dentre os quais a Braskem. Além disso, as empresas novatas (Petrorio, OGX e QGEP Part) esperavam crescimento rápido, mas tiveram produções decepcionantes.

Olhando o segmento Petroquímico, que normalmente acompanha o PIB, no qual a maioria das empresas é fornecedora da Petrobras, algumas das quais também envolvidas na “Lava a Jato”, existe a questão da baixa competitividade oriunda da escassez de gás em nosso país. Por outro lado, é bom lembrar que muitas das empresas petroquímicas foram criadas com incentivos dos governos da revolução favorecendo estados como Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul para geração de polos petroquímicos que hoje exportam quase nada devido a crise econômica. Como consequência, esse segmento não cresce, tem alto endividamento e algumas empresas estão em situação de liquidez judicial.

Em síntese, o setor Petróleo/Petroquímico nos últimos quatro anos teve um crescimento em receitas bem abaixo da média do mercado, lucratividade e rentabilidade sofríveis, e um elevadíssimo grau de endividamento. A grave situação da Petrobras provoca um típico “efeito dominó” afetando seus fornecedores que não possuem capital de giro para suportar o curto prazo. A conclusão é que tendo perspectivas futuras ruins este setor não oferece atualmente opções de investimentos.

Deixe o seu comentário sobre como você avalia o desempenho do Setor de Petróleo/Petroquímico, em particular da Petrobras, após a notícia do afastamento do Presidente do seu Conselho de Administração e solicite grátis uma pesquisa do seu interesse. Até a próxima!

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