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Setor de Transporte e Logística: Receitas em queda, dívidas reduzidas e retorno quase nulo


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 15/Set/2016.

 

“A soja brasileira concorre com a americana, que desce o
Rio Mississippi de balsa: é muito desigual”


Martus Tavares
– VP de assuntos corporativo da BUNGE

Em um artigo nosso sob o título “Setor Transporte e Logística: SABE o que se encontra na Constituição Brasileira? O Direito de Ir e Vir! ” chamamos atenção ao fato que as companhias do Setor de Transporte e Logística, integrado por empresas que comandam respeito, porém, em todas as suas respectivas modalidades defrontam-se com o imperativo de investimentos elevados e que seu desenvolvimento somente se tornará factível com o retorno do país a uma trajetória de ascensão econômica.  Resultados futuros desse setor prendem-se ao crescimento do Brasil e, sobretudo, à definição de normas e marcos regulatórios sensatos e estimulantes.

O mercado acionário brasileiro possui 20 companhias abertas do setor de Transporte e Logística. As estatísticas apuradas excluíram a Latam Airlines por falta de dados resultante do cancelamento de seu registro em bolsa.

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No 1º semestre de 2016 essas empresas totalizaram R$27 bilhões em receitas. A líder do setor em bolsa em receitas é a GOL (R$4,8 bilhões), seguida da CCR (R$4,7 bilhões), representando 17,8% e 17,6% do market-share, respectivamente. Do total das receitas líquidas do 1S2016, 7 destas companhias representam quase 80% do setor: GOL, CCR SA, JSL, Cosan Log, All Amer Lat, Localiza e Arteris. Os gráficos a seguir ilustram nossa observação.

Mkt-share e Receitas Líquidas (7 maiores) das Companhias do Setor de Transporte e Logística – 1S2015Fonte: SABE ©

Mkt-Share e Receitas Líquidas (7 maiores) das Companhias do Setor de Transporte e Logística – 1S2015
Fonte: SABE ©

Por outro lado, sob a ótica dos resultados a GOL liderou com lucro extraordinário de R$1,1 bilhões, seguida da CCR com R$343 milhões. A Ecorodovias ocupou a última posição de resultados com prejuízo de R$1,1 bilhões.

Na comparação do 1S2015 contra 1S2016, os 5 maiores crescimentos de receitas, EBITDA e resultados e as  5 maiores reduções de dívidas das empresas do setor em bolsa são mostradas nas planilhas a seguir:

Destaques de crescimentos/reduções do Setor de Atacado e Varejo – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Destaques de crescimentos/reduções do Setor de Transporte e Logística – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

Ainda na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 20 empresas no conjunto tiveram uma queda enorme de 33% nas receitas, aumento de 7% na geração de caixa medida pelo EBITDA, aumento significativo de mais de 100% nos resultados líquidos (influenciado pela GOL), redução significativa de 26% no endividamento líquido, atingindo no 1º semestre de 2016 uma relação elevada da ordem de 13:1 entre a dívida líquida e o EBITDA, que pode ser explicada pela falta de investimentos. Além disso, observamos um aumento de 3,3 ppt na taxa de retorno para o acionista (ROE), alcançando um percentual quase nulo no 1S2016. A tabela seguinte ilustra os números do setor na comparação dos totais dos últimos dois semestres das 20 empresas do setor.

Indicadores do Setor de Transporte e Logística – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Indicadores do Setor de Transporte e Logística – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

 

Comentários Finais

Segundo informações do mercado, a infraestrutura como participação da formação bruta de capital fixo (investimento) era de 23% nos anos 70 e caiu para 10,8% nos anos 2010, evidenciando os impactos da recessão econômica.

Em matéria recente publicada no dia 13/Set/2016, vemos o Governo lançando um programa de concessões e vendas de ativos públicos na tentativa de reativar a economia em infraestrutura. Com o nome de “Crescer – construindo um Brasil de Oportunidades”, o programa prevê 25 projetos em 7 setores: aeroportos, portos, rodovias, ferrovias, óleo e gás, energia e mineração.

Mas, seguindo a lógica do “que é bom dura pouco”, no dia seguinte veio a informação que o programa lançado na véspera ficou adiado para 2017, trazendo a frustração da expectativa de que os novos empreendimentos pudessem criar empregos ainda em 2016, já que nenhum leilão será realizado neste ano.

Deverão participar do financiamento dos projetos: investidores nacionais e estrangeiros com aporte de 20% do valor total dos empreendimentos, BNDES (R$18 bilhões), CEF com R$12 bilhões do Fundo de Investimentos do FGTS ( FI-FGTS), BB como principal fiador, bancos privados como avalistas no “sindicado dos bancos” liderado pelo BB e Fundos de Pensão como compradores de debêntures. Junto veio a informação de ampliação para 34 áreas, incluindo saneamento. O mercado recebeu o programa com otimismo cauteloso e dúvidas sobre a modelagem financeira. (Fonte: O Globo/Economia).

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que criam valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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