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Setor de Siderurgia e Metalurgia: Indicadores muito ruins com prejuízo aumentando violentamente


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 06/Out/2016.

 

“O travamento do processo político está trancando o país”

Jorge Gerdau – Presidente do Conselho da Gerdau

Algumas ações brasileiras subiram mais de 90% neste ano até Jul/2016, dentre elas CSN (152%), Usiminas (152%), Gerdau Met (143%) e Gerdau (121%). SABE qual é a explicação? Simplesmente essas ações estavam muito desvalorizadas, embora tenham bastante tradição em bolsa. Foram, portanto o “bode expiatório” da crise que desestruturou a tradição de todos os investimentos, em particular o de ações de empresas que foram durante muitos anos o “esteio” da nossa bolsa.

Do Real para cá cerca de 2/3 das ações subiram e os restantes 1/3 caíram. O ingresso de novas “vedetes” não foi suficiente para segurar a crise. Ex: Sid Nacional valorizou 152% até 31/Jul/2016, mas não é competitiva há anos; a valorização é puramente devida à sua tradição em bolsa. Essas ações vinham se deteriorando e a crise agravou.

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O mercado acionário brasileiro possui 11 companhias abertas do setor de Siderurgia e Metalurgia. No 1º semestre de 2016 essas empresas totalizaram R$56 bilhões em receitas. A líder do setor em bolsa em receitas é a Gerdau empatada com a Gerdau Met (cada uma com cerca de R$20 bilhões), seguida da Sid Nacional (R$8 bilhões). Juntas essas 3 companhias representam 86% do setor. Os gráficos a seguir ilustram os números mencionados.

Market Share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Siderurgia e MetalurgiaFonte: SABE ©

Market Share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Siderurgia e Metalurgia
Fonte: SABE ©

Olhando pela ótica dos resultados a Gerdau liderou com lucro de R$93 milhões, seguida da Mangels Indl com R$33 milhões. A Sid Nacional ocupou a última posição de resultados com prejuízo de R$874 milhões. O setor como um todo amargou um prejuízo de quase R$1,4 bilhões com apenas 3 das 11 companhias dando lucro no 1º semestre de 2016.

Na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 3 maiores variações de receitas, EBITDA e resultados e as  3 menores variações de dívidas das empresas do setor em bolsa são mostradas nas planilhas a seguir:

Destaques de variações do Setor de Siderurgia e Metalurgia – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Destaques de variações do Setor de Siderurgia e Metalurgia – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

Ainda na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 11 empresas no conjunto tiveram indicadores muito ruins: queda das receitas, redução na geração de caixa medida pelo EBITDA, aumento violento do prejuízo (mais de 340%), ao mesmo tempo em que reduziram em 11% seu endividamento líquido (provavelmente pela falta de investimentos como consequência da crise), mantendo no 1º semestre de 2016 uma relação de 18:1 entre a dívida líquida e o EBITDA. Como consequência a taxa de retorno para o acionista (ROE) que já era negativa no 1S2015 caiu 1,4 ppt alcançando -1,73% no 1º semestre de 2016, evidenciando o quadro dramático enfrentado pelo setor em bolsa. A tabela seguinte ilustra os números do setor na comparação dos totais dos últimos dois semestres das 11 empresas do setor.

Indicadores do Setor de Siderurgia e Metalurgia – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Indicadores do Setor de Siderurgia e Metalurgia – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

 

Comentários Finais

Como noticiado pela Infomoney em 26/Set/2016, em meio ao “rali” da Bovespa provocado principalmente pelo impeachment da Presidente Dilma Roussef, 4 papéis já passam dos 3 dígitos de rentabilidade, dos quais 3 de companhias siderúrgicas. O Ibovespa está até aquela data subindo 34% no ano de 2016, uma bela rentabilidade, principalmente levando em consideração que o benchmark da renda fixa, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) rendeu 10,19% no mesmo período. Entretanto os melhores desempenhos de ações que compõem o índice Bovespa, 4 já superam os 3 dígitos de valorização, mostrando-se assim, como publicado, “apostas” certeiras para o investidor.

Ultrapassando os 100% de rentabilidade em 2016 estão o papel preferencial da Petrobras (PETR4, +100%), as ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4, +113,25%), as ações da CSN (CSNA3, +116,75%) e a campeã de 2016: Usiminas (USIM5, +127,74%).

O “rali” do impeachment impulsionou as ações de praticamente todas as companhias em 2016. Nas siderúrgicas, vale destacar a disparada do minério de ferro, que chegou a flertar com os US$30 no começo do ano, mas depois se estabilizou entre os US$55 e os US$60. (Fonte: Infomoney).

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que criam valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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