Setor de Siderurgia e Metalurgia – Desempenho 2010 a 2015

Setor de Siderurgia e Metalurgia – Desempenho 2010 a 2015


Por Luiz Guilherme Dias

De acordo com o Instituto Aço Brasil o Setor Siderúrgico no Brasil é representado por 14 empresas privadas, controladas por 11 grupos empresariais e operando 29 usinas distribuídas por 10 estados brasileiros. Em 2014 a indústria do aço no Brasil foi responsável pela produção de 34 milhões de toneladas de aço bruto, levando o país a ocupar a 9ª posição no ranking da produção mundial. A Siderurgia emprega no Brasil mais de 122.000 pessoas e exporta sua produção para mais de 100 países.

O aço é resultado de uma liga de ferro e carbono e, portanto, depende da produção das mineradoras. No mundo quatro países respondem por cerca de 65% das reservas de minério: Brasil, Rússia, Austrália e China. As maiores exportadoras são Vale (Brasil), Rio Tinto e BHP Billiton (Austrália) que em conjunto detêm 70% do mercado mundial.

O consumo per capita de aço no Brasil é de 126 kg de produto siderúrgico/habitante. Os principais setores clientes de aço são: Construção Civil; Automotivo; Bens de capital, Máquinas e Equipamentos (incluindo Agrícolas); Utilidades Domésticas e Comerciais, quase todos dependentes de uma economia aquecida.

Em nosso mercado acionário competem no Setor de Siderurgia e Metalurgia 12 empresas, a seguir em ordem alfabética: Aliperti, Ferbasa, Fibam, Gerdau, Gerdau Met, Mangels Indl, Met Duque, Panatlantica, Paranapanema, Sid Nacional, Tekno e Usiminas. Desta lista, apenas quatro companhias (Gerdau, Gerdau Met, Sid Nacional e Usiminas) totalizaram 94% das receitas líquidas em 2014. Não foram consideradas Met Duque e Tekno por falta de série histórica de dados.

Os aspectos do setor de Siderurgia que merecem atenção são: fusões e aquisições no cenário internacional, potencial da companhia para aquisições e ganhos de escala, desempenho dos setores consumidores em especial: construção civil, automotivo e bens de capital, efeitos do dólar sobre as exportações e o comportamento das economias chinesa e norte-americana.

Veja agora o que o nosso Banco de Dados SABE tem a revelar sobre a evolução das empresas do Setor de Siderurgia e Metalurgia em termos das Receitas Líquidas, Resultados Líquidos, Endividamentos Totais e Retornos do Acionista no período de 2010 a 2015, sendo este último anualizado. Veja também como foi o desempenho em bolsa das ações das companhias do setor em mais de cinco anos.

Setor de Siderurgia e Metalurgia – Desempenho de 2010 a 2015(A) – R$MM – Fonte: SABE ©

Setor de Siderurgia e Metalurgia – Desempenho de 2010 a 2015(A) – R$MM
Fonte: SABE ©

No período de 2010 a 2015(A) a soma das Receitas Líquidas das empresas do setor cresceu com taxa anual composta (CAGR) de 5,1%, ao mesmo tempo em que a soma dos Resultados Líquidos recuou bastante ficando no vermelho em 2015 (destaque para o CAGR de -20,52% no período). Por outro lado, a soma do Endividamento Total cresceu apresentando um CAGR positivo de 8,53%. Na média do setor o ROE (retorno do acionista) só ficou positivo em 2010 e 2011; em 2012 chegou a -56% na média e a partir daí melhorou, mas permaneceu negativo até 2015.

As planilhas seguintes mostram os indicadores descritos individualizados pelas empresas do setor.

Companhias do Setor de Siderurgia e Metalurgia – Desempenho de 2010 a 2015(A) – Fonte: SABE ©

Companhias do Setor de Siderurgia e Metalurgia – Desempenho de 2010 a 2015(A) –
Fonte: SABE ©

  • Receitas Líquidas: as 4 maiores (Gerdau, Gerdau Met, Sid Nacional e Usiminas) representam 94% do setor, como dito.
  • Resultados Líquidos: a maioria, inclusive as 4 maiores, com prejuízos nos 9 Meses de 2015; destaque para Ferbasa que apresenta lucros crescentes; Fibam e Mangels Indl em situação de prejuízo constante; Paranapanema com boa recuperação de 2013 para cá.
  • Endividamento Total: maiores empresas com as maiores dívidas brutas, lideradas pela Sid Nacional (R$49bilhões).
  • Retorno do Acionista (ROE): situação muito crítica para Fibam e Mangels Indl sendo esta muito grave (patrimônio líquido negativo de 2013 a 2015 representado por -100,00%); ROE de Paranapanema em 9M2015 está distorcido por conta de patrimônio líquido muito baixo; novo destaque para Ferbasa com ROE de quase 16%.
Setor de Siderurgia e Metalurgia – Valorização das Ações – Dez/2009 a Nov/2015 (%) - FONTE: APLIGRAF ©

Setor de Siderurgia e Metalurgia – Valorização das Ações – Dez/2009 a Nov/2015 (%)
FONTE: APLIGRAF ©

As ações das companhias do setor tiveram um desempenho muito fraco em mais de 5 anos, período em que o Ibovespa caiu 33%. A exceção da Panatlantica PN que valorizou quase 18% no período, todas as ações das demais empresas tiveram grandes quedas entre 33% e 95%, refletindo a difícil situação em que o setor se encontra no momento.

 

Comentários Finais:

Segundo o Instituto Aço Brasil houve queda de 24% no faturamento e de 15% nas vendas do setor siderúrgico na comparação de Out/2014 com igual período de 2015. A alta do dólar somada ao desaquecimento do mercado interno está levando o Governo a pensar em subir as alíquotas de importação de produtos siderúrgicos para proteger a indústria nacional. A questão é complexa porque pode impactar a cadeia de produção atingindo outros setores, como o automotivo, com aumento de custos e consequente repasse de preços ao consumidor final.

Além disso, o setor de Siderurgia ainda enfrenta a possível oferta de um excedente de 500 milhões de toneladas de aço produzidos pela China que podem ser desovados em vários países, inclusive o Brasil, a preços bem abaixo dos praticados pelo mercado. A saída é exportar aproveitando a alta do dólar, mas tomando cuidado com a invasão de importados, pois como disse o Presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil): “Se você deixar o mercado interno livre, a China ocupará esse espaço”. (Fonte: O Globo – 19/Nov/2015).

Em síntese, o cenário futuro para o setor de Siderurgia e Metalurgia é muito ruim com perspectivas de continuar muito difícil. Os resultados das principais companhias do setor nos últimos anos são desastrosos com grande aumento do endividamento e queda nas rentabilidades. Lamentavelmente este quadro não mudará em 2016.

Seguindo nossa missão de prover conteúdo útil sobre os setores das companhias abertas, manteremos você atualizado com novas informações sobre as companhias do mercado extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

Deixe o seu comentário ao final desta página sobre como você percebe o desempenho atual do Setor de Metalurgia e Siderurgia em nosso país.

Botão_Eu_quero

Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro certificado.

faleconosco@sabe.com.br

Deixe seu comentário abaixo...

Leave A Response