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Setor de Papel e Celulose: Crescimento extraordinário de mais de 1.000% nos resultados líquidos!


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 18/Out/2016.

 

“Cortada a árvore se faz o papel/No papel se faz a ideia/Primeiro folha depois tronco/De nunca mais se cortar a árvore”

Ulisses Tavares – Poeta

Em Jan/2016, informações divulgadas pela representante da IBÁ (Indústria Brasileira de Árvores), entidade que reúne a cadeia produtiva, sinalizavam que o ano de 2016 seria de cautela para a Indústria de Papel e Celulose com o mercado enfrentando as mesmas incertezas de 2015, ano em que o Setor registrou crescimento das exportações e queda de vendas no mercado interno.

De Jan a Dez/2015, a produção de celulose cresceu 4,5%, atingindo 17,2 milhões de toneladas. A produção de papel se manteve praticamente estável, somando, 10,3 milhões de toneladas. As vendas de papel no mercado interno somaram 5,5 milhões de toneladas, 4,6% inferior em relação a 2014. Nos painéis de madeira, foram 6,4 milhões de m³, volume 11,3% menor de um ano para outro. (Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/).

O mercado acionário brasileiro possui 8 companhias abertas do setor de Papel e Celulose: Celul Irani, Duratex, Eucatex, Fibria, Klabin S/A, Melhor SP, Suzano Hold e Suzano Papel. No 1º semestre de 2016 essas empresas totalizaram R$21,7 bilhões em receitas. A líder do setor em bolsa em receitas é a Suzano (Hold e Papel) com R$10,4 bilhões, seguida da Fibria (R$4,8 bilhões) e da Klabin (R$3,2 bilhões). Juntas essas 3 companhias representam quase 85% do setor. Os gráficos a seguir ilustram os números mencionados.

Market Share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Papel e CeluloseFonte: SABE ©

Market Share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Papel e Celulose
Fonte: SABE ©

Olhando pela ótica dos resultados no 1S2016 a Klabin liderou com lucro de R$2,3 bilhões, seguida da Suzano Papel e da Suzano Hold, ambas com R$2,1 bilhões cada. A Duratex ocupou a última posição de resultados com prejuízo de R$29 milhões. O setor como um todo obteve um resultado líquido positivo de R$8,5 bilhões, com um crescimento extraordinário de mais de 1.000%. Das 8 companhias do setor em bolsa, apenas a Duratex deu prejuízo (R$29 milhões) no 1º semestre de 2016.

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Na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 5 maiores variações de receitas, EBITDA e resultados e as  5 menores variações de dívidas das empresas do setor em bolsa são mostradas nas planilhas a seguir:

Destaques de variações do Setor de Papel e Celulose – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Destaques de variações do Setor de Papel e Celulose – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

Ainda na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 8 empresas no conjunto tiveram indicadores excelentes: crescimento de mais de 14% nas receitas e na geração de caixa medida pelo EBITDA e aumento extraordinário (mais de 1.000%) no resultado líquido. Ao mesmo tempo, embora com aumento de 8,6% da dívida líquida, essas companhias reduziram em 5% a relação entre a dívida líquida e o EBITDA no 1S2016. A taxa de retorno para o acionista (ROE) subiu 18,5 ppt alcançando uma rentabilidade de 16,71% no 1º semestre de 2016, caracterizando um quadro favorável para o setor em bolsa, favorecido pela alta do dólar. A tabela seguinte ilustra os números do setor na comparação dos totais dos últimos dois semestres das 8 empresas do setor.

Indicadores do Setor de Papel e Celulose – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Indicadores do Setor de Papel e Celulose – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

 

Comentários Finais

O setor de Papel e Celulose é bastante competitivo no Brasil (veja gráfico abaixo), por possuir o menor custo de produção global devido aos seguintes fatores:

  • clima favorável;
  • utilização de biotecnologia e de engenharia genética, que favorecem a produtividade brasileira; a produção de 1,5 milhões de toneladas de celulose no Brasil requer 140 mil hectares de madeira, enquanto que na Escandinávia são necessários 720 mil hectares e na China 300 mil;
  • o eucalipto leva em média 7 anos para crescer, enquanto que o pinus leva em média 15 a 20 anos;
  • o custo de produção no Brasil gira em torno de US$ 235/ton, enquanto que nos EUA chega a US$420 e na China a US$ 498/ton;
  • a tecnologia de clonagem de mudas foi totalmente desenvolvida no Brasil por pesquisas realizadas entre as empresas, a Embrapa e universidades;
  • excelente logística formada por transporte , com florestas próximas das fábricas, que também são próximas dos terminais privativos para exportação. (Fonte: DEPEC – Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco).

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A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que criam valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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