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Setor de Mineração: Resultados favoráveis puxados pela Vale que enfrenta conflitos internos


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 25/Out/2016.

 

“E a raça vermelha, a primeira neste país, é como minério de ferro,
a primeira coisa necessária para o aço”

Anônimo

O governo federal planeja leiloar em 2017 22 mil áreas para exploração minerária, afirmou no dia 19/Out/2016 o presidente da CPRM/Serviço Geológico do Brasil. Segundo a fonte, 8 mil áreas em disponibilidade no DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) serão ofertadas ainda no 1º semestre de 2017. (Fonte: www.noticiasdemineracao.com/). Esperamos que a mineração junto com outras atividades industriais volte a crescer nos próximos anos ajudando a recuperação da economia do país.

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O mercado acionário brasileiro possui apenas 4 companhias abertas do setor de Mineração: Magnesita SA, Manabi, MMX Miner e Vale. Mas, podemos dizer que a Vale é praticamente o Setor: em termos de bolsa quando a Vale vai mal o Setor vai mal e vice-versa. No 1º semestre de 2016 essas empresas totalizaram R$47 bilhões em receitas, dos quais R$45 bilhões vieram da Vale e R$1,8 bilhões da Magnesita. A Vale sozinha representa 96% do setor. Os gráficos a seguir ilustram os números mencionados.

Market Share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de MineraçãoFonte: SABE ©

Market Share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Mineração
Fonte: SABE ©

Olhando pela ótica dos resultados no 1S2016 a Vale liderou com lucro de quase R$10 bilhões (com forte aumento de 312% em relação ao 1S2015), seguida da Magnesita com R$161 milhões. A Manabi ocupou a 4ª posição de resultados com prejuízo de R$23 milhões. O setor como um todo obteve um resultado líquido positivo de pouco mais de R$10 bilhões, com um crescimento de 300% puxado pela Vale. Das 4 companhias do setor em bolsa, duas (Manabi e MMX Miner) deram prejuízo no 1º semestre de 2016.

Na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 3 maiores variações de receitas, EBITDA e resultados e as  3 menores variações de dívidas das empresas do setor em bolsa são mostradas nas planilhas a seguir:

Destaques de variações do Setor de Mineração – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Destaques de variações do Setor de Mineração – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

Ainda na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 4 empresas no conjunto tiveram bons indicadores influenciados pelo desempenho positivo da Vale: crescimento de mais de 15% nas receitas e na geração de caixa medida pelo EBITDA e forte aumento (mais de 300%) no resultado líquido. Ao mesmo tempo, embora com aumento de 5,5% da dívida líquida, essas companhias reduziram em mais de 8% a relação entre a dívida líquida e o EBITDA no 1S2016. A taxa de retorno para o acionista (ROE) que era negativa no 1S2015 subiu 10,7 ppt alcançando uma rentabilidade de 7,53% no 1º semestre de 2016, em função da recuperação da Vale. A tabela seguinte ilustra os números do setor na comparação dos totais dos últimos dois semestres das 4 empresas do setor.

Indicadores do Setor de Mineração – 1S2015 x 1S2016,BR/>Fonte: SABE ©

Indicadores do Setor de Mineração – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

 

Comentários Finais

A Vale, principal empresa do setor, emprega elevados esforços para recuperar sua imagem perante o mercado após a tragédia resultante do rompimento da barragem da Samarco, joint venture em parceria com a BHP Billiton. O MPF (Ministério Público Federal) denunciou no dia 20/Out/2016, 8 executivos da Vale por homicídio qualificado com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), devido ao rompimento da barragem de Fundão, da Samarco em Mariana (MG). De acordo com a mineradora, apenas 2 deles não trabalham mais na empresa. Em recente notícia da Reuters veiculada no dia 20/Out/2016, a Vale informa que repudia denúncia do MPF (Ministério Público Federal) à Justiça no caso Samarco. A denúncia acontece em um momento em que a Samarco tenta voltar a operar. (Fonte: Infomoney).

Além disso, continuam as especulações sobre a saída do CEO da Vale por conta de movimento liderado pela bancada mineira do PMDB, insatisfeita com as demissões promovidas no estado ao longo de 2015 e com o impacto do acidente da Samarco. Em 2015, a Vale interrompeu algumas unidades de beneficiamento de minério de ferro em Minas Gerais que tinham custo mais alto e demitiu centenas de pessoas. A tragédia da Samarco, após o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério de ferro, agravou a situação dos municípios mineiros. A Vale ainda discute na Justiça uma ação, de autoria da União e dos estados de MG e ES, para que a mineradora desembolse R$ 20 bilhões para recuperar a Bacia do Rio Doce, atingido no acidente. (Fonte: O Globo/Bloomberg – 26/Ago/2016).

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que buscam criar valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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