Setor-Constru-Civil_Capa

Setor de Construção Civil e Mercado Imobiliário: Construção demite 467,7 mil trabalhadores em 12 meses


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | 14/Abr/2016.

 

“Um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego como as que temos”
Florestan Fernandes, sociólogo

A deterioração do mercado de trabalho afeta todas as regiões do Brasil, sendo que os piores resultados foram observados no Norte e no Nordeste. A construção civil brasileira registrou queda no nível de emprego em fevereiro em relação a janeiro, com o fechamento de 23,9 mil postos de trabalho, considerando os fatores sazonais. Em 12 meses, já foram demitidos 467,7 mil trabalhadores. Fonte: pesquisa realizada pelo SINDUSCON-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) em parceria com a FGV, com base em informações do MTE (Ministério do Trabalho e do Emprego).

“O setor está desempregando pelo 17º mês consecutivo. Mesmo se, como queremos, a crise política tiver um desfecho rápido dentro da legalidade, novos investimentos ao longo deste ano resultarão em obras mais adiante, e somente então se iniciará uma retomada do emprego”, comenta o presidente do SINDUSCON-SP, José Romeu Ferraz Neto. (Fonte: Portal G1 – 06/04/2016).

O mercado acionário brasileiro possui 42 companhias abertas do setor de Construção Civil e Mercado Imobiliário, a saber: ALIANSCE, AZEVEDO, BR BROKERS, BR MALLS PAR, BR PROPERT, BRASILAGRO, BROOKFIELD, CONST A LIND, COR RIBEIRO, CR2, CYRE COM-CCP, CYRELA REALT, DIRECIONAL, ETERNIT, EVEN, EZTEC, GAFISA, GENERALSHOPP, HAGA S/A, HELBOR, IGUATEMI, JHSF PART, JOAO FORTES, LIX DA CUNHA, LOPES BRASIL, MENDES JR, MILLS, MRV, MULTIPLAN, PDG REALT, PORTOBELLO, RODOBENSIMOB, ROSSI RESID, SAO CARLOS, SIERRABRASIL, SONDOTECNICA, SULTEPA, TECNISA, TRISUL e VIVER. Do total das receitas líquidas em 2015 destas companhias, 49% vieram de: MRV, CYRELA REALT, GAFISA, EVEN, PDG REALT E DIRECIONAL.

De 2014 para 2015, estas empresas no conjunto tiveram uma redução significativa de receita (mais de 15%), queda de 54% na geração de caixa medida pelo EBITDA, redução de 2 vezes e meia nos resultados líquidos, redução de quase 9% no endividamento líquido (boa notícia) mas, atingindo em 2015 uma relação fantástica de 20:1 (má notícia) entre dívida líquida e EBITDA, além de queda de 8,73ppt na taxa de retorno para o acionista (ROE), que no último ano ficou negativa em quase 5% no agregado.

Botão_Setor_Cons_Civil

A tabela seguinte ilustra os grandes números do setor na comparação dos totais dos últimos dois anos das 42 empresas citadas.

Informações das Empresas de Capital Aberto do Setor de Construção Civil e Mercado Imobiliário – 2014 x 2015 Fonte: SABE ©

Informações das Empresas de Capital Aberto do Setor de Construção Civil e Mercado Imobiliário – 2014 x 2015
Fonte: SABE ©

 

Comentários Finais:

A Apimec Rio realizou no dia 29/Mar/2016 em sua sede, um Seminário sobre Mercado Imobiliário que contou com a presença da área de Crédito Imobiliário do Bradesco apresentando o cenário atual e as perspectivas para o setor. A conclusão apontou um ambiente doméstico tendo que enfrentar grandes desafios devido ao cenário econômico atual: deterioração dos indicadores, falta de previsibilidade e queda da confiança. Entretanto, há no momento um grande descompasso entre necessidade e realidade em função de grandes perspectivas para o setor, a saber:

  • espaço para crescimento do crédito imobiliário (Brasil: menos de 10% do PIB, enquanto que em países desenvolvidos atinge 75% do PIB);
  • grande demanda por imóveis (mercado potencial para mais de 10 anos);
  • bônus demográfico ofertado pelo crescimento de 20% da população adulta (de 43 milhões em 2000 para 52 milhões de habitantes em 2014);
  • aumento no estoque de crédito imobiliário para pessoas físicas pelo SFN (de R$60bilhões em 2008 para R$495bilhões em 2015);
  • aumento do endividamento habitacional em função do crédito imobiliário pelas famílias (de 3,1% em 2006 para 18,0% em 2014);
  • maior austeridade dos agentes financeiros nas concessões de crédito elevando a segurança do mercado e
  • redução da inadimplência dos financiamentos imobiliários pelo SBPE (9,7% em 2004 para 1,9% em 2015), em contratos com mais de 3 prestações em atraso.

No mesmo evento a FIDES ASSET apresentou uma proposta de recuperação das empresas do mercado imobiliário tomando como base a necessidade de ajustar os preços dos imóveis para acelerar a venda dos estoques, fazer o mínimo de lançamentos até os estoques voltarem a níveis normais e gerar caixa aproveitando as oportunidades pelas empresas com balanços saudáveis para comprar terrenos e usar fôlego para futuros lançamentos. Em síntese, podemos dizer que onde há grandes desafios existem grandes oportunidades para as empresas bem administradas.

A SABE Consultores tem o propósito de compartilhar informações úteis e atualizadas sobre as empresas brasileiras. Manteremos você atualizado, como de costume, com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

Botão_Eu_quero2

Aproveite para deixar o seu comentário ao final desta página sobre o desempenho do Setor de Construção Civil e Mercado Imobiliário.

Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

Deixe seu comentário abaixo...

Leave A Response