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Setor de Alimentos e Bebidas: Crescimento das vendas, queda nos resultados e aumento da dívida


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 27/Set/2016.

 

“Maior do que o desejo de alimento e bebida é a ambição
da avareza em adquirir e possuir bens”

Frase cristã

Em Mai/2016 publicamos um artigo sob o título “Setor de Alimentos e Bebidas: Receitas e Resultados crescem 24%” onde chamamos a atenção dos nossos leitores para o grande processo de transformação que as indústrias de alimentos e também de bebidas estão passando no momento. Do lado dos alimentos mudanças no comportamento do consumidor e adequação das marcas estão trazendo benefícios pelo consumo de alimentos saudáveis e funcionais como parte essencial do cardápio diário. Do lado das bebidas, em especial vinhos, a garantia do padrão de identidade com selo D.O., com produtos certificados, além da aprovação de análises físico-químicas, estão propiciando para comerciantes, consumidores e apreciadores (enófilos), benefícios na seleção dos produtos, sejam nacionais ou importados. Em resumo esse mercado está se tornando mais seletivo e competitivo para atender as novas demandas do momento.

O mercado acionário brasileiro possui 15 companhias abertas do setor de Alimentos e Bebidas. Excluímos de nossos cálculos a Vigor Food por ter seu registro cancelado pela CVM. No 1º semestre de 2016 essas empresas totalizaram R$147 bilhões em receitas. A líder do setor em bolsa em receitas é a JBS (R$88 bilhões), seguida da Ambev (R$22 bilhões) e da BRF (R$17 bilhões), representando 59%, 15% e 11% do market-share, respectivamente. Juntas essas 3 companhias representam cerca de 86% do setor. Os gráficos a seguir ilustram os números mencionados.

Mkt-share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Alimentos e BebidasFonte: SABE ©

Mkt-share e Receitas Líquidas das Companhias do Setor de Alimentos e Bebidas
Fonte: SABE ©

Por outro lado, sob a ótica dos resultados a Ambev liderou com lucro de R$5 bilhões, seguida de longe da M.Diasbranco  com R$279 milhões. A JBS ocupou a última posição de resultados com prejuízo de R$987 milhões.

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Na comparação do 1S2015 contra 1S2016, os 3 maiores crescimentos de receitas, EBITDA e resultados e as  3 maiores reduções de dívidas das empresas do setor em bolsa são mostradas nas planilhas a seguir:

Destaques de crescimentos/reduções do Setor de Alimentos e Bebidas – 1S2015 x 1S2016 Fonte: SABE ©

Destaques de crescimentos/reduções do Setor de Alimentos e Bebidas – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

Ainda na comparação do 1S2015 contra 1S2016, as 14 empresas no conjunto tiveram crescimento das receitas de mais de 15%, queda aproximada de 5% na geração de caixa medida pelo EBITDA e também de 41% nos resultados líquidos, ao mesmo tempo em que aumentaram mais de 18% seu endividamento líquido, atingindo no 1º semestre de 2016 uma relação próxima a  8:1 entre a dívida líquida e o EBITDA. Por outro lado, essas empresas também perderam quase 3 ppt na taxa de retorno para o acionista (ROE), chegando a um percentual de menos de 5% no 1S2016. A tabela seguinte ilustra os números do setor na comparação dos totais dos últimos dois semestres das 14 empresas do setor.

Indicadores do Setor de Alimentos e Bebidas – 1S2015 x 1S2016Fonte: SABE ©

Indicadores do Setor de Alimentos e Bebidas – 1S2015 x 1S2016
Fonte: SABE ©

 

Comentários Finais

Segundo informações da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) divulgadas em 08/Set/2016 pela ABIA (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), o preço dos alimentos básicos registrou em Ago/2016 um aumento de quase 7% em um ano, para alcançar seu nível mais alto em 15 meses. “Os preços dos alimentos básicos subiram em agosto, apesar de os preços dos cereais baixarem com a melhora das perspectivas para a produção mundial de cereais”, afirmou em um comunicado a agência da ONU com sede em Roma. O índice de preços dos alimentos alcançou uma média de 165,5 pontos no 8º mês do ano, 1,9% a mais que em Jul/2016 e quase 7% em relação ao mesmo período de 2015.

Em relação ao setor de bebidas informações da ABRAS (Associação Brasileira dos Supermercados) sinalizam que a produção de cerveja no Brasil em Ago/2016 caiu cerca de 1% sobre o mesmo período do ano passado, mas avançou quase 13% na comparação com Jul/2016, segundo dados divulgados em 01/Set/2016 pela Receita Federal.

O setor produziu 10,856 milhões de hectolitros de cerveja no mês passado ante 10,977 milhões no mesmo período do ano passado e 9,6 milhões em Jul/2016. Com isso, no acumulado dos dois primeiros meses do 3º Trim/2016, a indústria teve queda de 1,6% no volume produzido sobre o mesmo período do ano passado, a 20,5 milhões de hectolitros.

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que criam valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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