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Oi: Super-tele faz super-dívida e precisa de super-recuperação judicial para poder operar!


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 04/Nov/2016.

 

“Sobre o fato da Portugal Telecom ter decidido participar da Oi, só posso dizer que a Oi continuará sendo brasileira da Silva (…) Vai sair uma grande tele nacional, eu espero”

Luiz Inácio Lula da Silva – Ex-Presidente do Brasil

Formada a partir da privatização do Sistema Telebrás em 1998, a Oi S.A. herdou grande parte do sistema de telefonia fixa existente no Brasil até então, sobretudo após a aquisição da Brasil Telecom. A Oi chegou a ser a maior operadora de telefonia fixa e a 4ª maior operadora de telefonia móvel do Brasil, sendo também a 3ª maior empresa do setor de telecomunicações na América do Sul. Em Set/2015, a empresa possuía, no Brasil, cerca de 72 milhões de Unidades Geradoras de Receitas (UGRs), das quais cerca de 47 milhões estavam no segmento Móvel Pessoal, 17 milhões no segmento Residencial e 8 milhões no segmento B2B (grandes corporações e PMEs). No final de 2015, a Oi contava com mais de 1 milhão de hotspots da rede Oi WiFi em todo o Brasil.

No total, a Oi possui concessões para a oferta de serviços de telefonia fixa em 25 estados brasileiros, além do Distrito Federal, atuando também através de autorizações nas regiões atendidas pela Vivo, Algar Telecom e Sercomtel. A empresa também oferece serviços de telefonia móvel, tendo sido a pioneira na introdução da tecnologia GSM no Brasil. Possui autorização para a prestação de serviços de comunicação de dados, internet banda-larga e longa distância em todo o país. Após a aprovação de uma lei em 2011 que permitiu que empresas de telecomunicações prestassem serviço de TV por assinatura e efetuar a cobrança na mesma fatura, passou a oferecer aos seus clientes o serviço de TV por assinatura Oi TV, possuindo atualmente mais de 1 milhão de clientes desse serviço. (Fonte: Wikipédia).

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Desde que comprou a Brasil Telecom a Oi vem perdendo rapidamente participação de mercado em telefonia fixa em sua área de atuação para a GVT e a NET que focam em internet banda-larga de alta velocidade para fisgar os clientes da concessionária. No final de 2015 o endividamento da Oi ultrapassava os R$65 bilhões (cerca do dobro de seu valor de mercado), configurando-se na maior divida entre todas as empresas de telecomunicações do Brasil. Em 2015, a Oi registrou um prejuízo total recorde de R$5,3 bilhões, após a aquisição da Portugal Telecom. A empresa beira a falência e estuda investimentos na área de internet móvel e fixa para sua recuperação. Desde 2014, a Oi pensa em fazer fusão com a maior rival, a TIM. Entretanto, a operação era vista com ceticismo pelo mercado, devido ao elevado endividamento da empresa. Em 20/Jun/2016, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, após assumir o valor de sua dívida, 10 dias após a renúncia de seu presidente.

Veja agora o que o nosso Banco de Dados SABE tem a mostrar sobre a Oi: “Radar de Desempenho Econômico-Financeiro de 2011 a 2015, agora inovando com informações sobre Distribuição do Valor Adicionado (DVA),  a comparação 1S2015 X 1S2016” e o desempenho em bolsa das ações OIBR4 (OI PN).

Radar de Desempenho da Oi - R$Milhões (Individual)Fonte: SABE © powered by MAESTRO

Radar de Desempenho da Oi – R$Milhões (Individual)
Fonte: SABE © powered by MAESTRO

De 2011 a 2015 a Oi teve um desempenho crescente nas contas patrimoniais e de resultados intermediários, a exceção do resultado líquido que despencou em 2014 e atingiu o prejuízo de R$5,3 bilhões em 2015. Por outro lado a empresa teve um crescimento significativo da sua dívida líquida alcançando em 2015 um valor próximo a R$66 bilhões configurando uma relação com o EBITDA de 8,5 vezes. Observando a distribuição de valor a companhia distribuiu um valor adicionado de R$23 bilhões em 2015 para seus stakeholders; este indicador apresentou uma taxa composta de crescimento no período de 25% ao ano de 2011 a 2015.

Na comparação do 1S2015 versus 1S2016, a companhia teve um desempenho desastroso: queda nas contas patrimoniais, aumento da dívida líquida, queda real de receitas de mais de 10%, aumento de mais de 10% dos custos, queda na geração de caixa medida pelo EBITDA e redução violenta no resultado líquido com prejuízo de R$2,3 bilhões no 1S2016. Além disso, a distribuição de valor continuou em queda de 18% entregando “modestos” R$8 milhões para seus stakeholders no 1S2016. Veja a seguir como foi o desempenho das ações OIBR4 (OI PN).

Evolução Trimestral da Ação OIBR4 (OI PN)Fonte: APLIGRAF – Elaboração: SABE ©

Evolução Trimestral da Ação OIBR4 (OI PN)
Fonte: APLIGRAF – Elaboração: SABE ©

De 30/Dez/2011 a 28/Out/2016 a ação OIBR4 teve uma tremenda desvalorização de 96%, tendo quase “virado pó”. A cotação ajustada de fechamento do papel saiu de R$61,21 e atingiu R$2,75 no final do período (a cotação máxima foi de R$70,94 em 28/Dez/2012 e a mínima de R$1,15 em 31/Mar/2016). No mesmo intervalo de tempo o Ibovespa subiu 13,06%.

 

COMENTÁRIOS FINAIS

Segundo informações divulgadas na mídia especializada em 14/Out/2016, a Oi deve R$20,2 bilhões em multas aplicadas pela ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). Segundo a Agência, desse total, R$15,65 bilhões são de multas já aplicadas e R$4,58 bilhões são de processos ainda em tramitação. O valor das multas que ainda estão em tramitação refere-se apenas aos processos que a empresa pediu para incluir nos Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), que prevê a troca de multas por investimentos. Em nota, a ANATEL informou ainda que pediu a sua exclusão da lista de credores da Oi, pois a dívida que a empresa tem com a agência não se submete aos mesmos critérios de negociação das demais e, por isso, “não devem ser contempladas no Plano de Recuperação Judicial”. (Fonte: Infomoney).

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou em 11/Out/2016 que o governo federal tem trabalhado para evitar qualquer processo de intervenção na Oi, que pediu recuperação judicial em 20/Jun/2016:  “Nós temos duas premissas: trabalhar para que não haja intervenção e não haverá injeção de dinheiro público [no processo de recuperação da empresa]”, disse o ministro.

O governo criou um grupo de trabalho composto por ANATEL, Banco do Brasil e BNDES por para discutir a situação da empresa. “Todas estão irmanadas no mesmo objetivo que é tentar apoiar naquilo que é possível para que a Oi possa dar a resposta adequada aos seus credores e sair desse difícil momento”, afirmou Kassab. “Caso haja problemas na recuperação judicial cabe à ANATEL fazer intervenção, mas todo o nosso trabalho é no sentido de ajudar a empresa a encontrar uma solução”, disse. (Fonte: Globo.com).

De acordo com dados da Oi atualizados em 02/Nov/2016 as ações em circulação no mercado da Oi estão distribuídas entre 877 mil investidores PF, 212 mil PJ e 673 investidores institucionais. Em Mai/2016, de um quadro com 16.700 colaboradores, a Oi demitiu cerca de 2.000 colaboradores, medida centrada na área administrativa abrangendo empregados de nível gerencial, inclusive diretores. Os cortes representaram entre 15% e 20% do total da folha de pagamentos da operadora e foi o 2º corte de peso feito (em Abr/2015, a Oi mandou embora 1.070 empregados) . Mais ainda: a lista de credores supera o número de 66 mil fornecedores. Ao mesmo tempo a Oi foi uma das grandes apostas da era Lula, que ambicionava criar “campeãs nacionais”, ou seja, empresas que pretendiam estar entre os líderes mundiais em seus setores. De fato a Oi foi uma “campeã” de destruição de valor, uma das marcas da da era Lula.

A Oi e demais participantes do setor de Telecomunicações no Brasil são vítimas das trapalhadas do Governo, uma delas a “desprivatização” da Telebras apresentada em nosso artigo publicado em 01/Nov/2016. Confira aqui.

Que essa experiência desastrosa sirva de aprendizado para a sociedade brasileira. Não precisa ser especialista para perceber como ficaram, por exemplo a Petrobras, a Eletrobras e as empresas que compõem a cadeia produtiva dessas gigantes após as intervenções incompetentes dos governos Lula e Dilma. Além disso estamos muito longe de sermos “campeões” em saúde, educação, segurança ou saneamento. Fica portanto para nossos leitores a reflexão: por que o governo não se concentra no social e deixa o mercado competir com regras transpárentes monitoradas por agências técnicas reguladoras visando o benefício da sociedade como um todo?

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas vencedoras e que vieram para ficar são as que perseguem a criação de valor para TODOS os seus stakeholders. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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