Kroton: Paixão por educar

Kroton: Paixão por educar


“A verdade é que o ensino público do Brasil está à orla do limite possível a uma nação que se presume livre e civilizada;
é que somos um povo de analfabetos, e que a massa deles, se decresce, e numa proporção desesperadamente lenta;
é que a instrução acadêmica está infinitamente longe do nível científico desta idade;
é que a instrução secundária oferece ao ensino superior uma mocidade cada vez menos preparada para o receber”.

Rui Barbosa (1849 – 1923)

Por Luiz Guilherme Dias

Ninguém duvida que a Educação é, senão a maior, uma das maiores prioridades para o desenvolvimento do Brasil. Fizemos dois artigos sobre as companhias abertas do Setor de Educação: um primeiro intitulado “Setor de Educação: um desafio para o Brasil nesta década” e outro mais recente “Setor de Educação: Desempenho 2011 – 2015”. Dissemos que para sermos de fato uma “Pátria Educadora”, pelo menos no ensino superior, falta ainda pelo lado das empresas melhorar a qualidade do ensino e pelo lado do Governo criar e manter regras estáveis para o setor deslanchar. Chamamos também a atenção de nossos leitores que os aspectos do setor de Educação que merecem atenção são: melhoria da qualidade do ensino, aumento da inadimplência por conta do elevado desemprego, dependência de programas de Governo, nível de relacionamento Escola-Aluno devido a conjuntura adversa do país e uso de tecnologia e criatividade para gestão financeira dos resultados. Este artigo é sobre a KROTON, uma das maiores empresas de educação do mundo e que segue o mantra “paixão por educar”.

A KROTON foi Fundada em 1966 em Belo Horizontes, MG, com a criação do curso pré-vestibular Pitágoras que logo no início exibiu um índice de aprovação de 94% com 35 alunos. Em 1988 o número de alunos alcançava 600 jovens distribuídos em 13 turmas e três turnos.

Em 1972 a empresa iniciou um processo de expansão com o 1º Colégio Pitágoras (1º e 2º graus), para 5.000 alunos entre 11 e 18 anos do. O “método de ensino Pitágoras” acompanhava as necessidades do aluno, em cada etapa de sua vida escolar. Em 1974 iniciaram as operações da maior unidade do Grupo Pitágoras no Ensino Básico, o Colégio Pitágoras Cidade Jardim.

Na década de 80 junto com uma grande construtora, com obras de infraestrutura no Iraque e na Mauritânia, o Pitágoras abriu unidades escolares que possuíam mais de 1.000 alunos brasileiros que se encontravam naqueles países. Surgiu aí a oportunidade de inovar no setor educacional: com o intuito de atenuar os efeitos da crise econômica de nosso país, muitas empresas brasileiras cresceram para fora do país, como fez o Pitágoras.

Nos anos 90 foi criada a Rede Pitágoras buscando um modelo diferenciado de ensino para expansão do Ensino Básico. Em pouco tempo a rede operava 106 escolas associadas, que perseguiam superar metas de índices de produtividade, replicabilidade e escalabilidade. Em 1999, surgiu a Fundação Pitágoras para viabilizar projetos educacionais em instituições públicas e privadas, como parte de um projeto para perenizar a organização.

A década de 2000 foi marcada pela mudança do marco regulatório do setor de educação. Surgiu a 1ª Faculdade Pitágoras, praticando um novo sistema de ensino e uma metodologia exclusiva criada em parceria com a Apollo International (uma das maiores companhias de educação do mundo sediada em Arizona, USA) que durou até 2005 quando a Apollo vendeu sua participação aos fundadores.

Em 2007 o Pitágoras fez seu IPO na BM&FBovespa, com o nome KROTON Educacional S.A.. Em 2009, recebeu um novo aporte financeiro da Advent International, um dos maiores fundos de private equity do mundo, que passou a dividir o controle da Kroton com os sócios fundadores.

Em 2010 a KROTON Educacional comprou a IUNI Educacional, instituição que oferece programas de graduação e pós-graduação sob as marcas UNIC, UNIME e FAMA, caracterizando a maior aquisição do setor de educação superior do Brasil.

Em 2011 a KROTON Educacional comprou a Faculdade Atenas Maranhense (São Luís e Imperatriz, MA) e a Faculdade União (Ponta Grossa, PR). Ainda neste ano adquiriu a FAIS – Faculdade do Sorriso e a UNOPAR (Universidade Norte do Paraná) caracterizando a maior aquisição da história da educação e conquistando a posição de liderança no setor de educação a distância do Brasil.

Em 2012 a Kroton Educacional comprou o UNIRONDON (Centro Universário Cândido Rondon) e a UNIASSELVI (Centro Universitário Leonardo da Vinci), assegurando a liderança na área de EAD (Educação à Distância). No ano seguinte foi feita a expansão de 40 novos Polos de Graduação à Distancia da UNOPAR. Logo em seguida foi anunciado um acordo de associação entre a KROTON e a ANHAGUERA, criando uma operação com mais de 400 polos de cursos livres e preparatórios, para formar a maior empresa de educação do mundo, ao mesmo tempo em que o Grupo até aqui formado consolidou sua liderança no ensino presencial e à distância no Brasil.

Hoje com quase 45.000 funcionários a KROTON conta com 11 diferentes marcas, 125 unidades de Ensino Superior, distribuídas em 18 estados e 83 cidades brasileiras, além de 726 Polos de Graduação EAD credenciados pelo MEC em todos os estados brasileiros e também no Distrito Federal. Na Educação Básica possui mais de 870 escolas associadas em todo o território nacional.

A seguir os grandes números da KROTON com base nas demonstrações financeiras individuais publicadas nos 9M2015:

KROTON: paixão por educar.

Veja agora o que o nosso Banco de Dados SABE tem a revelar sobre a evolução da KROTON de 2007 a 2014, a comparação dos 9 Meses de 2015 com o mesmo período de 2014 e como foi o desempenho em bolsa das suas ações KROT3 (KROTON ON) em mais de quatro anos.

KROTON – Radar de Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 2007 a 2014 – Fonte: SABE ©

KROTON – Radar de Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 2007 a 2014
Fonte: SABE ©

Nos últimos oito anos (2007 a 2014) a KROTON, após iniciar com prejuízo operacional em 2007, desenvolveu nos anos seguintes uma performance invejável com taxas anuais compostas (CAGR) de crescimento de ativo, patrimônio e resultados intermediários e líquido entre 50% e 68% ao ano. Por outro lado o Endividamento Total também cresceu a uma elevada taxa de 67% ao ano. Os indicadores de margens, especialmente a bruta, alcançaram médias expressivas no período. Destaque para o ROE (retorno do acionista) que embora com média de 7% no período atingiu em 2013 e 2014 um retorno de mais de 25% (padrão de bancos no passado) favorecido pelas medidas de incentivo do Governo. Os índices de liquidez mostram uma companhia com recursos para honrar seus compromissos de curto prazo.

Olhando agora o curto prazo, a planilha abaixo apresenta o desempenho da KROTON através da comparação de informações e indicadores de 9M2014 X 9M2015:

KROTON – Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 9M2014 X 9M2015 – Fonte: SABE ©

KROTON – Informações Econômico-Financeiras (R$MM) – 9M2014 X 9M2015
Fonte: SABE ©

Notamos a continuidade dos aumentos dos crescimentos, porém em níveis menores: ativo e patrimônio entre 9% e 10%. O endividamento cresceu pouco mais de 4,5%, bem abaixo da inflação. Os resultados intermediários e líquido cresceram mais que 44%. Quanto aos indicadores percebemos quedas nas margens, na relação dívida/PL e aumentos de mais de 30% nas rentabilidades e na liquidez corrente.

Evolução Trimestral da Ação KROT3 (KROTON ON). Fonte: APLIGRAF ©

Evolução Trimestral da Ação KROT3 (KROTON ON).
Fonte: APLIGRAF ©

O gráfico da evolução trimestral das cotações das ações KROT3 (KROTON ON) ilustra o desempenho em bolsa da companhia em mais de 4 anos, com uma notável valorização de 270% no preço do papel, que saiu de R$2,50 no 4º Trim/2010 para chegar a R$9,26 em 27/Nov/2015 (cotação máxima no período foi de R$15,32). No mesmo período o Ibovespa teve uma queda de 34%, caindo de 69.304 pontos para 45.917 pontos.

 

COMENTÁRIOS FINAIS:

O Setor de Educação foi o que mais cresceu entre todos os setores da BOVESPA nos últimos anos, favorecido pelas regras do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), sistema de financiamento criado em 2010 no 1º mandato da Presidenta Dilma, que buscavam a massificação do ensino oferecendo juros baixos e fianças frouxas para os estudantes das instituições de ensino superior (IES) privadas.

Com as novas regras criadas no fim de 2014 o setor enfraqueceu neste ano de 2015: concessão centralizada de empréstimos, prioridade para as IESs bem avaliadas pelo MEC e nota mínima de 450 pontos para acesso ao programa. Agora o aluno que não tiver nota não ingressa e a IES que não tiver qualidade não vai mais faturar tanto. Acabou, portanto, a festa paliativa que tentava diminuir o número de formados analfabetos endividados e desempregados.

No pregão de, 26/Nov/2015, as ações KROT3 caíram 8,57%, pressionadas por informações de que o Ministério da Educação iria pagar às instituições de ensino apenas 60% do saldo dos títulos do FIES referente ao mês de novembro. Segundo a KROTON, “a recente diminuição do repasse do governo para as empresas educacionais está relacionada com a sazonalidade e já estava prevista em portaria publicada no ano passado”.

Já vimos este filme em outros setores de atividade econômica: o Governo buscando controlar a economia do país adota regras e depois muda como se o país fosse um laboratório de provas (sem trocadilho, por favor). Até aqui as maiores empresas de educação como a KROTON vieram bem; resta-nos acompanhar sua evolução para ver quais sobreviverão às futuras “pedaladas”.

Seguindo nossa missão de prover conteúdo útil sobre as empresas brasileiras, manteremos você atualizado com novas informações sobre as companhias do mercado extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

Deixe o seu comentário ao final desta página sobre como você percebe o desempenho da KROTON, atual líder em nosso país do setor de educação.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

faleconosco@sabe.com.br

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