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Investimentos em Ações – A importância do longo prazo


Por Luiz Guilherme Dias | 07/Jan/2016.

Investir deveria ser tão monótono quanto “ver a grama crescer”.
Quem quiser adrenalina pode pegar US$800 e ir jogar em Las Vegas (Paul Samuelson – Nobel de Economia, 1970).

Segundo Daniel Kahneman (Psicólogo – Nobel de Economia 2002), nossa aversão a perder dinheiro é muito maior do que o prazer que sentimos ao ganhar, o que ajuda a explicar a quase universal dificuldade de vender na alta (“vai subir mais um pouquinho”) ou mesmo na baixa, quando as coisas parecem estar indo para o buraco (“não vou realizar o prejuízo”).

Um dos fatores cruciais para mudar o paradigma da aversão à perda pelo prazer do ganho ao investir é olhar o longo prazo, pois o tempo é o melhor remédio para explicar as imperfeições dos retornos de investimentos em boas ações. O artigo publicado em 05/Jan/2016 sob o título “O que pode dar certo em 2016” enfatiza a nossa responsabilidade como investidor ao identificar oportunidades de compras de ações de boas empresas com boa governança corporativa, mas sempre olhando um horizonte mínimo de 3 a 5 anos.

Os índices da BM&FBOVESPA são indicadores de desempenho de um conjunto de ações, ou seja, mostram a valorização de um determinado grupo de papéis ao longo do tempo. Os preços das ações podem variar por fatores relacionados à empresa ou por fatores externos, como o crescimento do país, do nível de emprego e da taxa de juros. Assim, as ações de um índice podem apresentar um comportamento diferente no mesmo período, podendo ocorrer valorização ou ao contrário, desvalorização. (Fonte: BM&FBOVESPA).

O índice Bovespa, principal termômetro do nosso mercado de ações, objetiva ser o indicador do desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro. A carteira do Ibovespa é, portanto, teórica, pois representa um amplo conjunto de ações (hoje são 61 ações). Quando ouvimos dizer que a bolsa caiu/subiu significa que esse índice caiu/subiu. Mesmo com a bolsa (leia-se Ibovespa) em queda, muitas ações individuais negociadas estão em alta. Para um bom acompanhamento é recomendável olhar sempre o longo prazo, em um horizonte mínimo de 3 a 5 anos.

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Nos últimos cinco anos o Ibovespa teve uma queda de 38%; somente em 2015 a queda foi de 13%. A explicação para o baixo desempenho da carteira teórica é simples: crise financeira internacional, queda das cotações das commodities, crise político-econômica nacional, impacto da operação Lava a Jato subtraindo a confiança do investidor, etc. Entretanto, o Ibovespa apresenta ganho significativo se olharmos para um horizonte de tempo maior: por exemplo, do início de 2005 para hoje o índice teve uma valorização acumulada de mais de 70%. Veja o gráfico a seguir:

Evolução mensal do Ibovespa, medida pelos fechamentos Fonte: BM&FBovespa

Evolução mensal do Ibovespa, medida pelos fechamentos
Fonte: BM&FBovespa

O caderno de economia do O Globo de 04/Jan/2016 publicou uma matéria intitulada “Na Bolsa, 2016 exige cautela e foco em poucas ações”, assinalando que o investidor em ações enfrentará em 2016 um duro desafio: escolher em quais empresas apostar em um momento de recessão econômica, crise política, juros em alta e inflação ainda em patamares elevados.

A título de colaboração fazemos duas considerações: primeiro substituir o termo apostar por investir para eliminar o sentido de “jogo” por muitos, especialmente leigos, atribuído aos investimentos em ações (costumamos dizer que Bolsa não é Cassino!) e segundo lembrar que mesmo em períodos de bonança as escolhas das empresas devem ser feitas com critérios técnicos que definam uma estratégia de investimento e que variam principalmente segundo o perfil do investidor e o prazo do retorno desejado para o investimento.

A matéria também ilustra graficamente o desempenho em 2015 das ações de empresas mais recomendadas atualmente pelos analistas: BB Seguridade, Bradesco, BRF SA, CETIP, FIBRIA e ITAUUNIBANCO. Novamente a título de colaboração sugerimos, sempre que possível, ilustrar o desempenho em períodos maiores de tempo, regra de ouro para investimentos em ações. Os gráficos seguintes ilustram os desempenhos das mesmas ações mostrando a evolução trimestral das cotações nos últimos cinco anos (exceto BB Seguridade que iniciou em bolsa em 2013), evidenciando profundas diferenças sobre a visão de curto prazo que pouco ou quase nada informa o investidor, especialmente se for pessoa física com pouca experiência na área.

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Evolução Trimestral da Ação – 31/Mar/2011 a 05/Jan/2016.
Fonte: APLIGRAF – Elaboração: SABE ©

As diferenças significativas entre o desempenho da ação no curto prazo comparado com o desempenho da ação no longo prazo são mostradas na tabela abaixo:

Comparação Desempenho Curto X Longo Prazo de AçõesElaboração: SABE ©

Comparação Desempenho Curto X Longo Prazo de Ações
Elaboração: SABE ©

 

COMENTÁRIOS FINAIS:

Mesmo considerando que no longo prazo estaremos todos mortos (Keynes), a comparação do desempenho das ações da tabela acima evidencia a importância de observar o retorno do investimento em período de tempo superior a um ano. Repare que, a exceção de Bradesco PN, todas as demais ações tiveram desempenho positivo e a maioria muito acima do Ibovespa. Importante registrar que os preços informados das ações estão ajustados no tempo incorporando os proventos em espécie e em dinheiro.

Seguindo nossa missão de prover conteúdo útil sobre as companhias abertas, manteremos você atualizado com novas informações sobre as empresas do mercado extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

faleconosco@sabe.com.br

 

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