GRUPO PÃO DE AÇÚCAR – Alimentar um mundo de diversidade

GRUPO PÃO DE AÇÚCAR – Alimentar um mundo de diversidade


Por Luiz Guilherme Dias

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) teve origem com a fundação da doceria Pão de Açúcar, em 1948 por Valentim dos Santos Diniz (1913-2008), um empresário português que emigrou aos 16 anos para o Brasil em 1929. O início da expansão dos negócios iniciou em 1952 com a abertura de duas filiais. Em 1959, foi inaugurado o 1º supermercado da rede em São Paulo.

Em 1966, após a incorporação da cadeia Sirva-se, a rede já operava 11 lojas. Neste mesmo ano foi inaugurada em Santos a 1ª loja fora da cidade de São Paulo. Dois anos depois a rede já era composta por 64 lojas e a empresa expandiu suas operações para fora do país operando lojas em Portugal, Angola e Espanha.

Na década de 1970, o grupo passou por uma grande expansão: aquisição da rede Eletroradiobraz, lançamento das lojas Jumbo (1ª geração de hipermercados do país), aquisição das redes de supermercados Superbom, Peg-pag e Mercantil. O processo de expansão continuou na década de 80: novos formatos de loja foram incorporados: Sandiz (lojas de departamento), Minibox (mercearias de desconto), Superbox (loja depósito) e Peg & Faça (loja de bricolagem). Em 1989, o grupo criou as lojas Extra para competir na área de hipermercados. A fusão de todas as lojas de varejo da rede formou a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD).

No início dos anos 1990, depois de um enorme crescimento, a situação econômica e desentendimentos familiares levaram a uma reestruturação do grupo: o primogênito da família, Abilio Diniz, assumiu a presidência, e Valentim dos Santos Diniz passou a ocupar o Conselho de Administração. Com a reestruturação veio a redução do número de lojas e corte de funcionários.Em 1993, Abilio torna-se o acionista majoritário da CBD. Logo depois a companhia lançou o 1º supermercado virtual do país, o Pão de Açúcar Delivery.

Em 1995, o GPA fez sua oferta pública inicial de ações (IPO), captando no mercado US$ 112milhões, caracterizando a 1ª emissão de ações preferenciais de uma companhia varejista de alimentos na Bovespa. Dois anos depois foram captados US$172 milhões na NYSE (Bolsa de Nova York): a CBD foi a 1ª empresa varejista brasileira a listar ADRs em Nova York.

Em 1998 reiniciou novo processo de expansão com a aquisição de vários supermercados de bairros, voltados a classes populares, entre eles a rede Barateiro, em 1998, que daria origem ao CompreBem. No ano seguinte ocorreu a aquisição da rede Peralta. Em 1999, o grupo francês de varejo Casino tornou-se sócio minoritário do Grupo com 25% das ações.

Em 2002, o Grupo fez a aquisição da rede Sé de Supermercados e no ano seguinte fez associação com a rede Sendas, líder do segmento no Estado do RJ. Em 2003, Abilio Diniz assume a presidência do Conselho de Administração da companhia, e Augusto Marques da Cruz Filho é eleito o primeiro presidente não pertencente a família fundadora.

Em 2005, foi criada uma nova holding e o controle do Grupo passou a ser compartilhado de forma igualitária (50% para cada um) entre Abilio Diniz e o Grupo Casino. Em 2006, a rede investiu em um novo modelo de loja: Extra Perto, inspirado no modelo europeu de varejo de conveniência. Em 2007, a empresa se associou ao Assaí Atacadista, tradicional rede atacadista paulista, ingressando no mercado do “atacarejo”.

Em 2008 o grupo perdeu seu fundador Valentim dos Santos Diniz que morreu aos 94 anos deixando um legado que talvez ele jamais imaginasse realizar.

Em 2009 surgiu nova onda de expansão com a compra da rede Ponto Frio e a associação com as Casas Bahia, tornando o grupo o maior de distribuição da América Latina. Novos desafios surgiram em 2011, com a disputa pelo controle da rede varejista: Abilio Diniz tentou romper o acordo com o Casino ao propor uma fusão da companhia brasileira com o arquirrival da varejista francesa, o Carrefour. O Casino, como esperado, vetou o negócio, e a ofensiva da parte brasileira terminou em fracasso. O plano de fusão previa a união dos dois maiores grupos de distribuição brasileiros – o Pão de Açúcar e o Carrefour Brasil – para criar um gigante avaliado em US$ 42bilhões.

Em 2012 o Casino comandado por Jean-Charles Naouri assumiu o comando do GPA. No ano seguinte o Grupo Pão de Açúcar passou a adotar a sigla GPA como seu nome oficial com o objetivo de mostrar, para o consumidor final, que a atuação da empresa vai além da venda de alimentos e abrange marcas de segmentos diversos.
Atualmente o GPA conta com cerca de 142.000 funcionários no país, possui mais de 2.100 lojas em operação e posiciona-se como o maior grupo varejista do Brasil prevendo a abertura de mais lojas no futuro. Sua estratégia de negócios é investir em competitividade de preços, buscando ganhos de eficiência para preservar sua rentabilidade.

O GPA mantém uma atuação multinegócio e multicanal, com lojas físicas e operações de comércio eletrônico, para atender aos diferentes perfis de consumidores nos mais variados momentos de compra, divididos em segmentos de negócios: Varejo Alimentar, Atacado de Autosserviço, Eletro e Móveis, Comércio Eletrônico e Galerias.
Sua estrutura de negócios do GPA está dividida em cinco Unidades de Negócios:

  • Multivarejo: bandeiras (Extra e Pão de Açúcar) e marcas exclusivas (Taeq, Qualitá, Casino, Caras do Brasil, Club des Sommeliers e Finlandek);
  • Via Varejo: bandeiras (Casas Bahia e Pontofrio) e marca exclusiva em móveis (Bartira);
  • Cnova: sites de comércio eletrônico de marcas (Extra.com.br, CasasBahia.com.br, Pontofrio.com, Barateiro.com, PartiuViagens.com.br, Cdiscount.com.br) e soluções de B2B por meio da plataforma eHub.com.br;
  • Assaí Atacadista: comércio atacadista no país que atende os mais variados públicos, desde os transformadores, pequenos comerciantes até o público final;
  • GPA Malls: gestão dos ativos imobiliários do GPA, administração e expansão das galerias comerciais.

A seguir os grandes números do Pão de Açúcar com base nas demonstrações financeiras publicadas nos 9M2015:

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Veja agora o que o nosso Banco de Dados SABE tem a mostrar sobre a comparação do 1º semestre de 2015 com o mesmo período de 2014 do Pão de Açúcar, e veja também como foi a evolução do desempenho em bolsa das suas ações PCAR4 (CBD PN).

Informações e Indicadores Financeiros do PÃO DE AÇÚCAR – 9M2014 X 9M2015. Fonte: SABE ©

Informações e Indicadores Financeiros do PÃO DE AÇÚCAR – 9M2014 X 9M2015.
Fonte: SABE ©

Crescimento patrimonial e financeiro fracos com receitas de vendas abaixo da inflação (8%), resultados bruto, operacional (EBIT) e líquido em queda com destaque para o lucro que caiu 91%. Indicadores financeiros sinalizando queda nas margens, nas rentabilidades (o ROE caiu 91% para 0,72%) e na liquidez de curto prazo da empresa.

Evolução Trimestral da Ação PÃO DE AÇÚCAR PN. Fonte: APLIGRAF ©

Evolução Trimestral da Ação PÃO DE AÇÚCAR PN.
Fonte: APLIGRAF ©

A evolução trimestral das cotações das ações PCAR4 (CBD PN) mostra o desempenho em bolsa da companhia em mais de 4 anos, com desvalorização de -19% no preço do papel, que saiu de R$65,66 no 4º Trim/2010 para atingir R$53,01 em 11/Nov/2015 (cotação máxima no período foi de R$105,18). No mesmo período o Ibovespa teve uma queda de -32%, de 69.304 pontos para 47.065 pontos.

Seguindo nossa missão de prover conteúdo útil sobre as empresas brasileiras, manteremos você atualizado com novas informações sobre as companhias do mercado extraídas do nosso Banco de Dados SABE. Deixe o seu comentário sobre como você avalia o futuro da Grupo Pão de Açucar.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

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