Endividamento empresarial: perigo para uns, oportunidade para outros

Endividamento empresarial: perigo para uns, oportunidade para outros


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | 04/Fev/2016.

 

“A economia não tem a mesma temperatura para todos e mesmo na recessão há bem sucedidos”.  Míriam Leitão (Jornalista)

Embora o assunto “Endividamento” esteja em pauta no momento, vamos iniciar falando sobre saúde física, deixando a financeira para depois. Como devemos saber o colesterol é um tipo de gordura presente nas células do nosso corpo, fundamental para o bom funcionamento do organismo. Entretanto, ter os níveis de colesterol fora dos padrões médicos no sangue aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

O colesterol bom (HDL) é produzido pelo organismo, sendo fundamental para o bom funcionamento do corpo. Ter o colesterol HDL baixo no organismo é prejudicial à saúde: o ideal é tê-lo sempre acima de 40mg/dl. Por outro lado, o colesterol mau (LDL) provoca deposição de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos, formando placas de gordura que, com o tempo, podem dificultar a passagem do sangue e levar a um ataque cardíaco ou AVC. O ideal é mantê-lo sempre abaixo de 130 mg/dl. Portanto, devemos idealmente ter: HDL > 40 mg/dl e LDL < 130 mg/dl. Existem técnicas e remédios para equilibrar os dois tipos de colesterol. (Fonte: www.tuasaude.com).

Fazendo uma analogia para fins conceituais, podemos dizer que o endividamento é que nem colesterol, bom ou mau. Quando se trata do tema endividamento, é recomendável, independente do porte da empresa ou do setor de atividade, avaliar os indicadores que medem as dívidas da companhia. Ter dívidas não é um problema em si, muito pelo contrário, pode até ser saudável quando os recursos financeiros (em geral de terceiros) são utilizados de forma racional para financiar o crescimento e o desenvolvimento da companhia.

Obs.: O comentário grátis sobre o desempenho de uma companhia aberta do seu interesse limita-se ao universo das empresas listadas na BM&FBovespa.

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Veja agora o que o nosso Banco de Dados SABE tem a revelar sobre o endividamento das companhias abertas em 2014 tomando como base uma amostra inicial de 350 empresas. Foram excluídas do estudo: empresas financeiras, com PL negativo, e com ativo total menor que R$1bilhão. Utilizamos 4 tipos de indicadores para fins de comparação: Dívida Líquida, Dívida Líquida/EBIT, Grau de Alavancagem Financeira e Grau de Endividamento Total. A planilha seguinte apresenta as 20 maiores dívidas das companhias abertas segundo cada um dos 4 indicadores descritos.

Endividamento das Companhias Abertas – Indicadores de 2014Fonte: SABE ©

Endividamento das Companhias Abertas – Indicadores de 2014
Fonte: SABE ©

  • A Dívida Líquida corresponde em valores absolutos a Dívida total menos Caixa e Equivalentes e pode servir de base de cálculo para outros indicadores, por exemplo: em relação às Receitas, aos Resultados, etc.
  • O quociente Dívida Líquida/EBIT mede a relação entre a Dívida Líquida e a Geração de Caixa medida pelo EBIT (Resultado antes do resultado financeiro e dos tributos). Um quociente “N” indica que a empresa levaria “N” anos para quitar sua dívida com o caixa gerado.
  • O Grau de Alavancagem Financeira mede a relação entre o retorno sobre o PL (ROE) e o retorno sobre o Ativo Total (ROA). Este indicador é útil para medir a capacidade da empresa em usar encargos financeiros para maximizar os efeitos de variações no lucro operacional, antes das despesas financeiras e do IR sobre o lucro líquido.
  • O Grau de Endividamento Total (relação entre o Endividamento Total e o PL) mede a proporção dos recursos de terceiros em relação aos recursos próprios existentes na empresa.

Os indicadores ajudam a análise, porque resumem os dados de forma conveniente, fácil de entender, interpretar e comparar. Considerados isoladamente, fora de contexto, fornecem pouca informação. Os indicadores não devem ser analisados de forma isolada, mas em conjunto com outros, e sempre ponderados de acordo com o ramo de atividade da empresa a ser analisada, comparando-os sempre que possível aos padrões do setor.

Deixo para você, querido leitor, as considerações sobre os indicadores de endividamento informados neste artigo. Sugiro que você faça um exame visando identificar quais empresas estão usando o endividamento/alavancagem para desenvolver seus negócios de forma sustentável. Tenho certeza que fazendo isto você descobrirá algumas “pérolas” ainda escondidas. De minha parte vou aproveitar o Carnaval que se aproxima para garimpar boas empresas. Mas há quem prefira “chuva, suor e cerveja”, o que tenho que admitir, é muito bom!

 

COMENTÁRIOS FINAIS:

No dia 24/Jan/2016 o jornal O Globo publicou uma matéria na capa do caderno de economia sob o título “Disparada no endividamento” dizendo que a dívida líquida de 50 grandes empresas do Ibovespa saltou 77% em 2 anos (de 9M2013 a 9M2015) com a recessão, alta dos juros e do dólar. Em números a dívida dessas empresas cresceu de R$476 bilhões para R$843 bilhões. Sozinha a Petrobras responde por 48% do total, diz a matéria.

Todos os nossos últimos artigos, sem exceção, alertam para a questão do elevado endividamento que nossas empresas estão enfrentando. A questão que cabe reflexão é se a administração da dívida da empresa está sendo bem feita. Uma forma simples de avaliação é verificar a relação entre a geração de caixa e o endividamento. Exemplo: se o valor da dívida for superior a 3 vezes a geração de caixa, significa que a empresa levaria 3 anos para quitar sua dívida com o caixa gerado, o que pode ser considerado alto dependendo do setor de atividade da empresa.

Uma informação importante é que o endividamento empresarial não é exclusividade das empresas brasileiras, pois ocorreu em vários países emergentes cujas economias foram afetadas pelo fim do chamado “ciclo das commodities”. No fim de 2014 o Brasil ostentou uma dívida corporativa de 67,4% do PIB à frente de vários países emergentes, exceto a China. Segundo o FMI, o crescimento em % do PIB da dívida corporativa do Brasil foi o 4º maior entre 20 emergentes, o que é bastante preocupante.

Seguindo nossa missão de prover conteúdo útil sobre as empresas brasileiras, manteremos você atualizado com informações sobre as companhias do mercado extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

Obs.: O comentário grátis sobre o desempenho de uma companhia aberta do seu interesse limita-se ao universo das empresas listadas na BM&FBovespa.

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Deixe o seu comentário ao final desta página sobre como você percebe a questão do endividamento empresarial em nosso país.

Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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