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Capitalismo Consciente: A nova fronteira para a economia (Parte II)


LUIZ-GUILHERME-DIAS-e1443731843958Por Luiz Guilherme Dias | Rio, 10/Jan/2017.

 

“Acreditamos que as empresas devem liderar o caminho para elevar a consciência do mundo”
John Mackey e Raj Sisodia – Autores do livro “Capitalismo Consciente” – Editora HSM

Este artigo dá continuidade ao resumo e adaptação de alguns capítulos do livro “Capitalismo Consciente – Como libertar o espírito heroico dos negócios”, editado pela HSM, que discute o papel e a importância das empresas conscientes, que atuam de maneira a criar valor não só para si mesmas, mas também para seus clientes, colaboradores, fornecedores, investidores, comunidade e meio ambiente ou usando o jargão do momento para seus “stakeholders”.

Os autores John Mackey e Raj Sisodia, questionam o que significa tornar-se mais consciente como indivíduo e como empresa. Para isso usam como metáfora um dos muitos milagres da natureza: a lagarta transformando-se em borboleta pelo processo aparentemente mágico da metamorfose. “Em sua breve existência, a lagarta faz pouco mais do que comer, o que parece ser seu único propósito. Algumas comem tanto que se multiplicam até cem vezes seu tamanho original. Quando chega a hora da metamorfose, a ativação de determinadas células da lagarta as leva à fase de casulo, do qual emerge, algumas semanas depois, irreconhecível, uma criatura de beleza encantadora, que desempenha uma função valiosa na natureza por meio de seu papel na polinização vegetal, e, portanto na produção de alimentos para outros seres”.

A analogia da borboleta vale para o ser humano e para as organizações que cria à sua própria imagem. Como pessoas, podemos optar por uma existência de lagarta, consumindo o máximo que pudermos do mundo e devolvendo quase nada em troca, ou evoluindo por meio da transformação para borboleta e agindo como seres que criam valor para os outros e ajudam o mundo a se tornar melhor. A diferença está na intenção. Diferentes das lagartas que passivamente dependem da natureza para evoluir, devemos ampliar a nossa consciência para nos desenvolver como pessoas e organizações.

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Mudanças do fim do século 20 como a queda do Muro de Berlim, a globalização e o surgimento da internet, dentre outras, têm transformado a sociedade, criando um novo cenário para os negócios. À medida que evoluímos mudamos nosso sistema de valores. No entanto, em sua maioria, as empresas não evoluíram para acompanhar tamanhas mudanças e ainda fazem negócios orientados por mentalidades e práticas apropriadas para épocas passadas e mundos diferentes do atual. Vivemos na sociedade do conhecimento e agimos como se estivéssemos na era industrial.

Para os autores, “talvez a maior mudança vivida hoje por nós, seres humanos, seja a elevação de nossa consciência. Ser consciente significa estar totalmente lúcido e desperto para enxergar a realidade com clareza e para entender todas as consequências de nossas ações, em curto e longo prazos”. Atualmente consideramos impensáveis algumas práticas disseminadas no passado como, por exemplo: a escravatura, a proibição do voto feminino, a segregação racial, o comunismo como um caminho viável para nossa vida política e econômica. Valores como cuidado, cultivo de relacionamentos e compaixão são hoje considerados de grande importância em toda a sociedade.

Com o passar dos tempos, nossa forma de pensar fica mais cuidadosa, holística e focada no longo prazo. Percebemos com mais clareza a interdependência essencial e de todos os povos e de todos os seres vivos, inclusive com o planeta que habitamos. Assim urge que devemos agir e pensar de um modo novo. Nesse contexto é possível imaginar “empresas impregnadas com propósitos elevados, fermentadas em autêntica solidariedade, influentes e inspiradoras, igualitárias e comprometidas com a excelência, confiáveis e transparentes, admiradas e imitadas, amadas e respeitadas”.

Essas empresas não são mais ficção nem utopia, elas existem no mundo real, inclusivo no Brasil!!! Atualmente são poucas, mas em breve serão muitas e vão “transformar o mundo e elevar a humanidade a novos patamares de bem-estar espiritual e emocional, vitalidade física e abundância material”. Entramos assim num novo mundo heroico do capitalismo consciente…

Os 4 Pilares do Capitalismo ConscienteFonte: John Mackey e Raj Sisodia – Capitalismo Consciente – Editora HSM

Os 4 Pilares do Capitalismo Consciente
Fonte: John Mackey e Raj Sisodia – Capitalismo Consciente – Editora HSM

O Capitalismo Consciente é paradigma em desenvolvimento baseado em uma nova forma de capitalismo, que além de visar o lucro e desenvolvimento das empresas também gere qualidade de vida a bilhões de pessoas. Este movimento traz um desafio aos líderes empresariais a repensar por que suas organizações existem e a reconhecer os papéis de suas empresas no mercado global interdependente. Trata-se de uma forma de pensar o negócio com muito mais consciência de seu propósito maior, de seus impactos sobre o mundo e de suas relações com os diversos públicos e “stakeholders”. Esse novo modelo segue 4 princípios, como mostrado na figura acima: propósito maior, integração de stakeholders (objeto de uma série de artigos nossos), liderança consciente e cultura/gestão conscientes.

Obviamente, as empresas conscientes, como todas as demais, estão sujeitas à disciplina do mercado e precisam conquistar bons resultados financeiros, além de criar valor social, cultural, intelectual, físico, ecológico, espiritual e emocional para seus stakeholders. O que observamos ainda é que muitas empresas impõem a seus gestores metas pouco flexíveis baseadas em métricas como, por exemplo: market share, margem líquida, que confundem causa e efeito. Um caso clássico ocorreu na Toyota que após focar a gestão em metas numéricas, fez com que seus gestores se voltassem para números, se afastando do propósito maior de criar carros seguros e confiáveis. No Brasil esse tipo de enfoque é muito mais arriscado, pois aqui praticamos há séculos a cultura do “me engana que eu gosto”.

Outro aspecto considerado relevante nessa discussão é a diferença entre Capitalismo Consciente e Responsabilidade Social Corporativa. Um bom negócio não precisa ter nada de especial para ser socialmente responsável. Criar valor para os principais interessados já é, em si, uma forma de ação de responsabilidade social. Entretanto, existem diferenças expressivas entre esses dois conceitos que merecem clareza, como mostrado no quadro seguinte:

Diferenças entre Capitalismo Consciente e Responsabilidade Social Corporativa Fonte: John Mackey e Raj Sisodia – Capitalismo Consciente – Editora HSM

Diferenças entre Capitalismo Consciente e Responsabilidade Social Corporativa
Fonte: John Mackey e Raj Sisodia – Capitalismo Consciente – Editora HSM

Assim como os seres humanos que nascem relativamente pouco desenvolvidos, mas com potencial praticamente ilimitado de crescimento pessoal, as empresas também podem evoluir para propósitos mais enriquecedores e para impactos extraordinariamente positivos. “No início do século 21, despertou-se a aguda consciência que nossos recursos naturais são finitos. Por outro lado, começamos a perceber que não limite para a criatividade empreendedora. As empresas que reconhecerem os desafios contemporâneos e desbloquearem o espírito criativo natural do ser humano para aproveitar as oportunidades vão florescer durante longo tempo. Essa jornada começa com a descoberta do ‘propósito maior’ único da empresa”. Com esse pensamento é possível alcançar milagres da natureza, como a transformação da lagarta em borboleta, que com beleza encantadora desempenha uma função valiosa na produção de alimentos para outros seres.

A SABE Consultores tem o propósito de “organizar informações financeiras sobre as empresas brasileiras e torná-las acessíveis e úteis” e acredita que as empresas conscientes atuam de maneira a criar valor não só para si mesmas, mas também para seus clientes, colaboradores, fornecedores, investidores, comunidade e meio ambiente ou usando o jargão do momento para seus “stakeholders”. Manteremos você atualizado com novas informações extraídas do nosso Banco de Dados SABE.

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Luiz Guilherme Dias é Sócio-Diretor da SABE Consultores, Consultor de Empresas e Conselheiro Certificado.

E-mail: lg.dias@sabe.com.br

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